Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

quarta-feira, 12 de março de 2014

INDIGNAÇÃO.

Uma nota de protesto,

o Perseverança encerra suas atividades em Cotia depois de trinta anos de dedicação as crianças e adolescentes do Rio Cotia e Jardim Cotia e adjacências.   Quando nem se pensava em Creche em Cotia, o Grupo Perseverança inovou na implantação de duas Creches. Além do trabalho realizado aqui, o Perseverança desenvolve atividades com crianças e adolescentes em outros Estados e na cidade de São Paulo, reconhecido internacionalmente pela lisura, competência profissional e pedagógica. Faltou a Prefeitura de Cotia sensibilidade, gratidão e habilidade política. É bom lembrar que os dois prédios que o Perseverança deixa para o município não foram construídos com dinheiro público e sim com doações e investimentos do Perseverança.  Resta indignação! Não existe justificativa para está ação insana. 

SPUTNIK, O FILME


O texto e o filme sobre o Sputnik causam aquela sensação de que alguma coisa está acontecendo ou está prestes a acontecer. Suspense! Suspiros e tensão... Ao escrever o texto original,nunca tinha imaginado um espião tupiniquim com aquela linguagem de misturas de português com uma péssima tentativa de falar russo. Essa sutileza da linguagem ficou muito engraçada. O espião russo do filme é completamente diferente do que tinha imaginado no texto escrito, tipo aqueles agentes russos dos filmes do maior espião do cinema, 007 (risos). Esse do filme ficou hilário e um espião bem brasileiro. Imagino encontrá-lo em Cotia, na década de 60, com aquele ambiente noturno, então melancólico, da época.

A equipe de futuros cineastas deu asas à imaginação. A chegada do carro antigo com o espião, o close no sapato, nas pernas,deixa claro que acaba de descer um estranho na cidade (um estrangeiro). Essa tentativa de montar um ambiente da época foi surpreendente e criativa. Outra sacada criativa foi a do repórter Esso que, aos poucos, foi tecendo a História do Sputnik, com aquela voz de tensão e suspense. Não tenho dúvida que Cotia nesse período era desse jeitão mesmo... As barbearias eram um ponto de encontro dos moradores e formadores de opiniões sobre a vida política e cultural da cidade. Algumas famílias tradicionais tinham seus barbeiros prediletos. Naquela noite,na chegada do espião tupiniquim, o barbeiro responde, quando indagado, sobre aquela figura, responde com firmeza: deve ser um estrangeiro. Nesse período do Sputnik, todo mundo conhecia todo mundo ou por nome ou sobrenome.


Não desmerecendo todo trabalho realizado pela equipe dos alunos do curso sobre roteiro, vai uma observação construtiva.Como o roteiro teve como base o texto do Livro & Imagem, esse não foi citado, como o nome do autor do livro na legenda final. Segundo informações, também ficou de fora da legenda de créditos o nome de uma das participantes que ficou aborrecida,e com razão. Erros que devem ser evitados num trabalho de tamanha importância. Um trabalho perfeito para a memória de Cotia. Assistam ao vídeo e soltem a imaginação. O filme é uma boa dica para começar uma aula sobre a História do município. Um bom trabalho que cria um documento sobre os moradores antigos que construíram essa cidade. Parabéns! Emocionei-me. Afinal, existiu o tal espião mesmo? Fantasia ou realidade?  

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

AS MÃOS NÃO DEVEM SER USADAS PARA FAZER JUSTIÇA

 Imagine se todos resolvessem fazer justiça com as próprias mãos? Que método podemos usar com mais eficácia nesse caso? Podemos até enumerar quais os castigos deveríamos usar para diminuir a violência que nos amedronta a cada dia. Uma sugestão a ‘la francesa’, amarrar o bandido com os braços abertos em dois cavalos e cada um deles puxaria para seu lado, com o público em delírio extasiante e aos gritos, justiça feita! (Leia História das Prisões, de Michel Foucault). Temos sugestões mais simples a apresentar: amarrar o delinqüente no poste com o pescoço preso com uma trava de segurança de bicicleta. Podemos também espancar o bandido até o desfalecimento (aos gritos da multidão enrrurecida). Olha o que não falta é mecanismo para aplicar castigos aos delinqüentes. Será que essa justiça com as próprias mãos aliviaria a criminalidade em apenas uma década?

 Ainda bem que a maioria dos brasileiros não pensa assim, que a melhor coisa a fazer é justiça com as próprias mãos. Quem não fica balançado quando alguém que perdeu um filho, a mãe, o pai ou um ente querido por uma ação violenta lhe pergunta: se tivesse sido alguém da sua família o que você faria? Intempestivamente diante da comoção poderíamos responder que mataríamos. Nem todo mundo age assim. No início da década de oitenta, quando ainda não eram comuns crimes como assistimos todos os dias, um jovem em um Banco com a filha no colo. De repente um assalto e um tiroteio - sua filha foi alvejada por uma bala perdida e morre no seu colo. Quando perguntado pelo repórter o que ele desejava ao bandido que tinha assassinado sua filha de três anos, uma resposta surpreendente, que até hoje não esqueci, quase trinta anos depois: “O que está faltando à humanidade é acreditar em Deus”. Um gesto humano que comove qualquer um, mas ainda não responde e não apresenta nenhuma proposta para conter a violência que tem assolado o nosso cotidiano.

 “Alguém precisa aparecer com um projeto de país, em vez de projetos de poder”, o jornalista Clóvis Rossi com está frase nos remete a uma reflexão interessante. O que estamos vivendo é uma disputa apenas pelo poder e pouco interessam questões que há tempo deveriam ser resolvidas ou pelo menos encaminhadas para algum tipo de solução. A violência é uma delas (leia segurança). Ainda, combatendo a violência com as próprias mãos, outro dia, uma mãe que teve o filho adolescente assassinado no portão de casa, mesmo depois de entregar o relógio, demonstra que a sociedade, na sua maioria, deseja saídas pacíficas quando responde como devemos nos comportar diante de tanta insegurança: o que é necessário é que as instituições públicas funcionem. Bingo! O voto é apenas um passo da construção de uma sociedade democrática e justa. Como cidadãos, precisamos ir além do voto e participar efetivamente das questões políticas e das decisões daquilo que nos interessa. Essa reclamação coletiva (histérica) de que os políticos são culpados por tudo é cômoda demais (sabemos do que eles são culpados). Existem trabalhos em todos os cantos do país, muitos realizados pelo voluntarismo que mostram que o melhor investimento ainda é no ser humano. E a mão pode ajudar melhor na construção desse ser humano.

 PS: sugestão de leitura, Cultura e Barbárie Européias, de Edgar Morin

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A "VERDADEIRA" HISTÓRIA DO FOGUETE SPUTINIK CONTADA PELOS SEUS INVENTORES.

Este trabalho realizado pela Jornalista Sônia Marques resgata a memória de moradores antigos de Cotia e apresenta de forma humorada o cotidiano de uma época. Sugiro este vídeo para as escolas e interessados na História da cidade. Este material é uma bela introdução para discutimos como era este lugar e como gostaríamos que ele fosse construído daqui pra frente. Qual pode ser nossa participação na construção de um cidade melhor? Outra dica de pesquisa para as escolas é através de entrevistas e conversas com moradores podemos trazer a tona causos, estórias e as poucos tecendo nossa identidade Histórica. Assistam ao vídeo é divertidíssimo. No meu blog você pode encontrar vários textos sobre a cidade: www.cotiamemoriaeeducacao.blogspot.com http://www.cotiatv.com.br/benedito-viviani-e-oswaldao-contam-a-historia-do-sputnik-de-cotia/

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

VAMOS DAR UM ROLEZINHO...?

“Não será preferível corrigir, recuperar e educar um ser humano que cortar-lhe a cabeça?”
Fiodor Dostoievski



Não adianta esconder ou fingir que á Luta de Classe, não existe! Vivemos em uma cidade segregada, de um lado quem tem dinheiro para consumir frequenta os shoppings tranquilamente. Lamentável! A primeira ação do poder privado, em relação aos rolezinhos foi transformá-los em caso de polícia (junto com o Estado). A imprensa, como sempre imediatista, associou esse movimento de jovens da periferia a vândalos, generalizando. Estigmatizando! Então!Agora, dá sinal de recuar em relação às suas afirmações contra o rolezinho, percebeu que não é bem assim. Injustiça! E a justiça,como sempre cega,concede uma liminar, determinando que o Palácio do Consumo (Iguatemi) decida quem vai entrar tendo como critérios características físicas (apartheid). Como isso? Um retrocesso em todos os sentidos. Cadê as políticas públicas sociais e culturais para a periferia? 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

UMA RAPIDINHA: UM ANO COM MAIS DE TREZENTOS E SESSENTA DIAS..



Para muitos, o ano começa depois da Quarta-feira de Cinzas, para outros começou logo depois das festas de final de ano. E, para um bocado de gente, um ano emendou no outro, com muita labuta. Assim caminha uma parte da humanidade. Este ano é atípico em relação aos outros: teremos três grandes acontecimentos. O primeiro é o BBB, que mobiliza milhões de telespectadores. Uma interatividade (tudo mentirinha) entre a telinha e o cidadão, que fica espiando a vida de gente dentro de uma casa (gente pouco interessante). O segundo evento deste planetário é a Copa do Mundo. Espero que o Brasil seja campeão do mundo (apesar de que uma cartomante disse, nessas previsões de final de ano, que o Brasil não vai levantar a taça. Não acredito nessas previsões, prefiro sonhar com o Brasil levantando a taça). Agora, o que não dá para aguentar é a Fifaque, de tempos em tempos, desqualifica o Brasil. O terceiro e maior evento do ano são as eleições para cargosLegislativos e Executivos. Talvez dos três eventos esse seja o mais importante de todos. Será?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

CARTA PARA ÍCARO


 Meu filho Ícaro,

ontem recebi a visita do meu filho convidando-me para seu casamento no próximo sábado. Recebi o convite com muita alegria. Pensei comigo:já! Outro dia era um bebê. Depois de ouvi-lo atentamente,passou um filme em minha cabeça. A cada cena uma revelação de como amamos os nossos filhos. Quando você recebe a notícia de que vai ser pai é uma alegria indescritível. Esta sensação indescritível é só para quem tem coragem de ser pai de verdade. Aí ficamos pensando e sonhando como vamos educar o rebento,com uma imensa preocupação de como evitar para que eles ou elas não passem por percalços. Talvez a pior besteira seja achar que podemos teleguiá-los. Eles já nascem independentes. Como pai, dói demais, saber que, com o tempo, eles ou elas vão se distanciando e construindo as suas histórias. Talvez o consolo maior para um pai seja saber que, para eles ou elas, servimos de exemplo. Será?

Lembro-me do parto, que assisti, quando o Garoto nasceu foi magistral. O anúncio da sua chegada aconteceu de forma poética. Amãe, depois de muito esforço, deixa correr no canto dos olhos aquela lágrima que dizia,com todas as letras, missão cumprida. Peguei-onos braços e o queixo e as bochechas foram crescendo rapidamente e apenas consegui soltar um sorriso acompanhado de lágrimas. Um momento de encanto. Lembro-me do primeiro tombo que lhe quebraram os dentes da frente, ainda de leite. As noites não dormidas, acompanhadas de choros intermináveis e cólicas. Um gesto de proteção dos pais, colocar o rebento sobre a barriga para esquentá-lo para aliviá-los das dores das cólicas, enquanto a mãe passa as fraldas no ferro... Tem muito mais! Emocionante é quando eles ou elas conseguem, com sinais nada convencionais, reconhecer-nos como pais. Quem não fica emocionado?

Neste momento, as feridas interessam só a nós, meu filho. Este meu filho que agora anuncia o casamento foi um cara de sorte. Teve mais de uma mãe e um pai. A avó e o avô que foram fundamentais na sua educação. Não poderia deixar de lembrar do dia que o levei pela primeira vez à escola. Chorava desesperadamente e o rosto demonstrando um terror com a sensação de que estava sendo abandonado. Começando a vida e lecionando,levava-o para a escola e trocava as fraldas na mesa da sala de aula. Muitas vezes!Como você me ajudou a crescer. Como todo adolescente ele também foi rebelde. Talvez esta fase seja quando eles ou elas descobrem que não somos tão perfeitos. Logo passa,quando eles amadurecem. Às vezes não percebemos. Muitas cenas. Continue construindo seu caminho com dignidade e inteligência. Felicidades!

Ísis e Laís sejam bem-vindas e passem a fazem parte desta história e continuem escrevendo-a.