Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

domingo, 18 de agosto de 2013

SOBRE A MORTE...


Ontem, quando estava a caminho de uma Rádio Comunitária para uma entrevista, fui pego de surpresa com uma pergunta de Maria Karolina. Tipo pergunta desconcertante: Papai o restaurante do seu amigo que morreu está aberto, como pode estar aberto se ele morreu? Levei um susto e, simultaneamente, pensando no que responderia. Como é dicífil pensar uma resposta convincente em milésimo de segundo,quando a pergunta é estonteante e feita por uma criança. Ufa! Como tem criança com uma dúvida desta? Pensei.E ser tão objetiva em relação ao que queria saber. Como o restaurante está funcionando se o meu amigo morreu?

Olhei bem, pensei, olhei firme para Maria,ela com aquele jeito de criança à espera da resposta, anunciando, no semblante indagativo, que não desistiria de uma bela e convincente explicação. Filha, todos nós morremos um dia. Antes que continuasse a explicação, ela interrompeu e lascou outra pergunta. Como o vovô? É, filha, como o vovô. Tenho saudade dele Papai. Eu também tenho, filha! Quando morremos deixamos lembranças e saudades, ficam os filhos, netos e amigos que sempre vão lembrando,contando estórias que aconteceram com a gente, assim não deixamos as pessoas morrerem, elas estão sempre presente. Lembrança é quando o Ícaro fala das coisas engraçadas e a viagem que fizemos com vovó Zé? É isto mesmo!


O amigo do Papai morreu, mas sua família continua tocando o restaurante. Imagine se eu tentasse explicar sobre a morte sem a pergunta feita pela Maria sem o interesse dela, poderia ser desastroso, ela não conseguiria entender algo tão subjetivo. Fica uma dica que alguns temas devem ser explicados na hora certa, principalmente quando são perguntados, os adultos têm o defeito de querer explicar coisas para os filhos que não devem ser antecipadas (risos).Depois da explicação, olhei de rabo de olho, e notei, na expressão facial da Maria, que ela estava pensativa. Fiquei esperando outra pergunta que não veio. Uma grande dúvida tomou conta do meu coração: será que ela entendeu a explicação? Só o tempo dirá.