Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

domingo, 12 de dezembro de 2010

VAMOS SER CRIANÇA!


 Que tal brincar de usar a imaginação no Dia da Criança? Que tal usar a memória para lembrar das coisas de quando éramos crianças? Lembro-me que não dormia enquanto meus pais  não me diziam “Deus te abençoe”:
― A “bença” pai! A “bença” pai!
― Deus te abençoe, meu filho.
Depois de ouvir a “bença” o sono chegava e a noite era mais tranquila. Agora adulto, parece que aquela bênção era bobagem, mas ela era muito importante...
Mais de uma vez mobilizei a cidade onde morava pelo meu desaparecimento. Lembro-me que nas Sextas-feiras da Paixão, o cinema da cidade exibia o filme da paixão de Cristo (em preto e branco) o dia inteiro. Num ano entrei na primeira sessão depois do almoço e saí na última, quase meia-noite. Quando saí na porta do Cine Votuporanga tinha uma multidão me procurando, achando que eu tinha desaparecido. Recebi abraços de saudades e alguns puxões de orelha. Só assim percebi que tinha feito alguma coisa errada.
Continuo a me lembrar. Tem arte que a gente fez, que os pais até hoje não sabem. Vou contar uma: quando chegava um circo na cidade eu ficava louco para assistir ao espetáculo. Certa vez chegou o circo dos palhaços Faísca e Pimentão. Arrumei um jeito de ajudar a buscar água e de vender maçã do amor. Até aí um comportamento normal. Depois de um tempo de amizade com a trupe do circo fui chamado para trabalhar na peça de teatro “O Lavrador”. E não é que me sai bem?!! Eu me lembro que nesta peça tinha a música de uma dupla sertaneja famosa, só não me recordo o nome. Devo dizer que a minha carreira de ator terminou logo, na noite de estréia, pois minha participação foi realizada às escondidas dos meus pais. E adivinhe quem estava na platéia na primeira apresentação do espetáculo? Meus pais, claro. Eles não me reconheceram por causa da roupa de camponês que eu vestia. Mas nunca mais eu tive coragem de subir no palco do circo do Faísca, de medo de encontrar meus pais novamente na platéia.
É muito bom recordar estas histórias e, por isso, quero convidá-lo a usar a sua imaginação e a buscar na memória as histórias do seu tempo de criança. Depois, sente-se confortavelmente no sofá da sala e chame seu filho:
― Filho, vem cá que eu quero contar algumas histórias de quando eu era criança! Senta aí e escuta! 

                                                                                              Professor Marcos Roberto Bueno Martinez        

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