Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

UMA DICA DE LEITURA




HOMENS INVISÍVEIS: RELATOS DE UMA HUMILHAÇÃO SOCIAL.

Uma leitura esclarecedora sobre aqueles (as) que estão todos os dias, no nosso cotidiano, e não enxergamos. Talvez o único nome que reconhecemos e damos eles seja o de “Tio” ou “Tia”. Eles são invisíveis mas presentes, limpando o banheiro e catando o lixo que jogamos muitas vezes no chão. Depois de ler o livro do psicólogo Fernando Braga da Costa, é visível o quanto são ignorados. Andam de cabeça baixa, olhando para o chão, com uma postura de subserviência e sem nome. A tese de doutorado do Dr. Fernando deve ser lida e analisada para entendermos melhor as pessoas que nos cercam e sua condição social. Qual é mesmo o nome daquele que limpa o chão do shopping ou qualquer outro espaço?

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

Livro:
Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social
Autor: Fernando Braga da Costa
Editora Globo

quarta-feira, 9 de maio de 2012

UMA INFORMAÇÃO RAPIDINHA:



O PALHAÇO QUE NÃO É TÃO PALHAÇO...

Li a entrevista do Deputado Everaldo Oliveira Silva (Tiririca) na revista Piauí, sobre sua história de vida e sua atuação no Congresso Nacional. Ele deu um “cala boca” em muita gente. Tiririca é um deputado que tem frequência de 100% nas sessões da Câmara e faz parte da Comissão de Educação e Cultura, na qual apresentou um projeto para gente de circo como ele. Nesse projeto, ele pede para que as crianças e jovens desse segmento da sociedade tenham direito garantido nas escolas das cidades por onde passam. O “Abestado”, como se intitula às vezes, venceu mais um preconceito: o da intolerância.

Revista Piauí de maio –  número 68.

Prof, Marcos Roberto Bueno Martinez

segunda-feira, 7 de maio de 2012


UMA NOTA DE CARINHO E RESPEITO



A MORTE É UM GRANDE DESPERTAR

 (NELSON RODRIGUES)



Na década de 80 a Escola Estadual Vinícius de Moraes, localizada em Cotia, destacou-se pela luta contra o fim do Regime Militar. Desejávamos que o país devolvesse os direitos constitucionais usurpados aos seus cidadãos, fato que foi conquistado depois de um tempo, com muita organização e luta.

A Escola Vinícius de Moraes era uma faculdade para a vida, na medida em que incentivava discussões pertinentes àquele momento. A professora e vice-diretora Zilá fez parte deste processo de construção de gente que pensa, que participa e decide.

Carinho e respeito não se compram, se conquistam, e a senhora está marcada na história de vida de cada um de nós.

SAUDADES!

Alunos da “faculdade” Vinícius de Moraes.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

FESTA DO PEÃO DE BOIADEIRO: DÉMODÉ




Quem gosta de Festa de Rodeio? Segura peão! Muita gente vai responder que adora e outros vão dizer que não gostam de jeito nenhum. Outros tantos vão dizer que só curtem os shows. Agora, tem muita gente que diz que só vai por causa da montaria. Portanto, tratar este assunto do ponto de vista do gosto pessoal é complicado demais. A discussão pode terminar com aquela antiga máxima de origem desconhecida, “gosto não se discute”! Além disto, pode gerar preconceito contra a cultura, o estilo de vida de cada um. Para evitar que a conversa termine desta forma é melhor contextualizá-la. As festas de rodeio ou de peão estão fora de moda, apesar de ser um evento antigo e de origem rural. Hoje as entidades de proteção aos animais lutam para o fim deste espetáculo. 

Uma argumentação usada pelas entidades de proteção aos animais é imbatível: maus tratos. Na festa do peão de Cotia, os militantes deixaram sua marca nos tapumes em torno do evento: “Amarre seus testículos e sinta a emoção do rodeio.” Tragicômico. Mas muito mais trágico. Estas festas são, na sua maioria, descontextualizadas, e são realizadas no “mundo urbano, fantasiado de caipira”, ou melhor, de cowboi. A festa, que tomou dimensões internacionais, enfrenta oposição no mundo todo. É um evento sem dúvida violento, visto que a cada ano aumenta o registro de acidentes com montadores e de acidentes fatais. Qual a ligação cultural desta festa com as cidades onde elas ocorrem? Existe ou seria somente financeira? 

Não é porque sejam tradições culturais que esta e outras festas devem ser mantidas. Na verdade, a festa do peão nem mesmo é nossa tradição. A farra do boi em Santa Catarina tornou-se uma atividade criminosa e as touradas na Espanha estão com os dias contados. 

Perguntas: As festas do peão geram receita para as cidades onde são realizadas? Se geram, elas estão ligadas com investimentos na área da saúde, educação, segurança e infra-estrutura? Não tenho nada contra o entretenimento, mas é preciso urgentemente avaliar se festas deste tipo são positivas para a cidade. A única coisa que tenho contra é em relação aos maus tratos aos animais. Precisamos aprender a respeitá-los e decidir se queremos que a nossa cidade seja conhecida por sediar rodeios cruéis ou por realizar festas diferenciadas, com um divertimento mais humanizado.


Professor Marcos Roberto Bueno Martinez


segunda-feira, 9 de abril de 2012

UM NORUEGUÊS DE COTIA*



“São inesquecíveis os momentos quando o Senhor Tore Munck vinha 
nos visitar na Avenida São Camilo. 
Eu ficava muito admirada pela paixão que ele tinha por crianças.” (Isabel Jesenicnik)


Para escrever sobre a passagem do norueguês Tore Albert Munck pela cidade de Cotia, pretendo objetivamente não transformá-lo em um mito, apesar de que muitos funcionários que conviveram com ele durante anos tenham essa visão do empresário criativo e empreendedor. O que pretendo é apresentá-lo como um homem passível de acertos e erros como qualquer outra pessoa. A sua história com a cidade, no final da década de 50, e com a cultura brasileira, irá marcá-lo profundamente. O senhor Albert Munck, em seu tempo de passagem aqui, se tornou um autêntico brasileiro de espírito.




Nessa década, Cotia é uma cidade em que predomina a economia rural, sob a influência da imigração japonesa. Além da agricultura, a economia extrativista de carvoaria também fazia parte deste período. Porém, desde o início do século XX o lugar vem passando por mudanças rumo ao processo de industrialização, começando com o setor de metalurgia. A indústria metalúrgica vai alterar este cenário a partir do final de 50 e o Senhor Albert Munck vai ter um papel importante com a inauguração da sua primeira fábrica, em 1957, em Cotia.

Não podemos esquecer que o chefe do governo brasileiro deste período é o Presidente Juscelino Kubitschek, que coloca em prática a política desenvolvimentista dos “50 anos em 5 anos”, ou seja, o Brasil deveria crescer em cinco anos o equivalente a cinquenta anos com seu plano de governo. O pai do jovem Albert, o senhor Sverre Munck, de olho no mercado mundial, enviou o filho ao Brasil, e a empresa que nascera em 1924 na Noruega, com 1500 dólares, durante duas décadas prosperará e abrirá três empresas com tecnologia de ponta, em Cotia. Os fatores que vão contribuir para este investimento no Brasil e não em outros países da América Latina, são a instabilidade política destes países e a mão de obra brasileira em conta, em relação a outros países do mundo.




O Senhor Albert Munck tinha uma visão incomum em relação a outros empresários. Um problema que ele iria enfrentar era a falta de mão de obra qualificada e, por isso, a Munck abriu em Cotia uma escola profissionalizante que deveria servir a empresa e atender a demanda de outras empresas do setor que vão se implantar na região. Sem dúvida alguma o senhor Tore Albert Munck contribuiu para o desenvolvimento industrial da cidade e da educação. Na escola o Senhor Munck também instalou uma excelente biblioteca. 

In memoriam:
Fica aqui registrada uma singela homenagem ao professor Mário Jordão Kuester, que pertenceu ao quadro de funcionários da Munck, e que gostaria de ver esta história contada.


- Arquivo pessoal do Senhor Fábio Kuester
- Revista Banas nº 121, 13 de dezembro de 1971 
  * O título desse artigo foi retirado de um outro, publicado nessa edição da Revista.
 - Revista Banas 12 de maio de 1975


Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

segunda-feira, 26 de março de 2012

CRONIQUINHAS COTIANAS



O CASAMENTO

COISAS DE ALEX GAILEY & ADRIANE ZANDER GAILEY...

Outro dia fui convidado para ser padrinho de casamento e aceitei de pronto, pois o casal em questão já tinha quase uma vida juntos e três filhos maravilhosos, além de serem meus amigos, claro. A convivência deles me deixou tranquilo, pois já tinha sido padrinho de outros casamentos, que com o tempo terminaram, deixando tristeza em todos. Mas esta renovação de votos com certeza vai durar muito ainda, muito mais do que as quase duas décadas em que Alex e Adriane já teceram suas histórias. Isso transparece no semblante do casal, em cada olhar, em cada toque. Os olhos dos filhos brilhavam a cada etapa do simbolismo da cerimônia. Mas tinha alguma coisa diferente ali...


  Foto: Luciana Klein

Sim! Havia aquelas coisas normais de casamento como atrasos, todos ansiosos com a chegada dos noivos, o pessimista de sempre no meio de toda a agitação, que sussurra: “Será que o noivo vai aparecer?” Ou: “Será que a noiva vem mesmo?” A música anuncia a chegada triunfal da noiva e estranhamente ouve-se lá fora um barulho ensurdecedor, como se fosse de uma motosserra (barulho comum ultimamente aqui na cidade), e na confusão que se seguiu entra o noivo de moto, rompendo o espaço pelo templo até o altar. Com muita emoção os convidados o seguem com os olhos e ele desce da moto como um guerreiro celta, de kilt branco, homenageando a sua origem familiar. Foi o melhor casamento do qual participei! QUE SEJAM FELIZES PARA SEMPRE!

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

segunda-feira, 12 de março de 2012

AMPLIAÇÃO DA RAPOSO TAVARES: UMA SOLUÇÃO PALIATIVA



O espaço não pode ser estudado como se os objetos materiais que formam a paisagem trouxessem neles mesmos sua própria explicação. Isto seria adotar uma metodologia puramente formal, espacista, ignorando que ocasionaram as formas. Como analisar esta relação entre a estrutura e a forma, a sociedade e a paisagem? (Santos, Milton. Pensando o espaço do homem. Ed EDUSP, 2004, p. 58)

Não é de hoje que a ampliação da Raposo Tavares faz parte do imaginário dos antigos moradores, sempre associada à ideia de desenvolvimento e progresso. Com um processo ainda tímido de urbanização na década de cinquenta, que se acentua no final de 60, as conversas e brincadeiras sobre a rodovia eram de que muitos moradores partiriam para o outro lado da vida e a tal ampliação não aconteceria. Ela chegou no início de dois mil e a metonímia “a Raposo está parada” é quase todos os dias entoada por moradores antigos e novos da cidade, que vivem o stress do congestionamento quase diário da antiga rodovia São Paulo-Paraná. 

Se a ampliação da rodovia não for pensada e planejada considerando a complexidade que a envolve, de nada adiantará qualquer tipo de intervenção neste trecho da estrada que corta Cotia. Tempos depois, iremos novamente ouvir os lamentos de que “a Raposo” está parada. O poeta e arquiteto Mário Luiz Savioli, em seu livro[1] aborda a rodovia Raposo Tavares como a espinha dorsal que permeou e permeia o desenvolvimento da cidade. O livro é uma referência de informação e dados estatísticos e históricos que balizam uma discussão sóbria sobre uma possível ampliação da rodovia, considerando que ela está encravada na região metropolitana de São Paulo. A ampliação deve levar em conta a Raposo e Cotia, a metrópole e as cidades circunvizinhas. Sem isso é chover no molhado.

Ora, precisamos antes olhar para o próprio umbigo. É primordial colocar o Plano Diretor[2] da cidade em ação, inclusive para que possamos cobrar qualquer intervenção efetiva do estado ou da federação na ampliação da estrada. É preciso fazer a lição de casa também. E ai a participação da sociedade civil organizada é importante e o envolvimento da Câmara Municipal e do poder executivo é fundamental. A cidade de São Paulo já vem desde o final da década de oitenta colocando em prática restrições à circulação de caminhões no centro, que foi se expandindo com o tempo, com o rodízio de carros e outras ações. Mas os congestionamentos aumentam a cada dia e o caos está instalado. Não há dúvida de que o investimento em transporte público é uma das melhores saídas. 

Há um tempo atrás, dizer em tom de brincadeira que um dia o Metro chegaria a Cotia era motivo de muita chacota, hoje é visto como coisa séria e possível. Se não for o Metro será algo como um transporte de superfície. E a melhoria do transporte público interno é urgente, aproveitando melhor o transporte alternativo. A cidade não vive mais sem ele, mas precisa ser melhor regulamentado e fiscalizado, como se deve também fiscalizar acentuadamente a empresa oficial de transporte da cidade, que deixa seus serviços a desejar. Assim, com o pé no chão e cheios de esperança, podemos dar os primeiros passos para um trânsito melhor na Raposo Tavares. Quem sabe um dia possamos deixar o carro em casa e usar este transporte público com decência. Enquanto isso, só nos resta reclamar!


Professor Marcos Roberto Bueno Martinez



[1] SAVIOLI, Mário Luiz. A cidade e a estrada – As transformações urbanas do Município de Cotia ao longo da Raposo Tavares. Ed. Edicon.

[2] Observação: plano que prevê o desenvolvimento global da cidade.