Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

terça-feira, 12 de julho de 2016

A HISTÓRIA DE ANTONIA


Antonia Gomes da Silva, mulher da roça. Bonita. Morena, quase negra. Vinte anos de idade. Mulher com a cor da roça, que ganhara essa beleza sertaneja labutando de sol a sol. Moça do sítio. Assim intitulam aqueles que moram na cidade. Roupa simples. Vestido de chita, que realçava sua beleza cabocla. Antonia, de comportamento recatado, com seus sonhos e desejo de morar na cidade e mudar de vida. Cansada da roça. Nunca poderia imaginar que esta mudança do sitio para cidade marcaria tão profundamente sua existência. 

É comum quando uma rapariga da roça troca o sitio pela cidade, que seja para ajudar no sustento da família. Trabalhar. Conforme o tempo, o sítio não supre o sustento necessário da família. Raramente esta ida do campo para a cidade é para estudar. Às vezes até acontece essa coisa de fazer a troca e de dar continuidade nos estudos. Não era o caso da moçoila Antonia. Ela foi para a cidade realmente para trabalhar e ajudar nos gastos da casa. Estudo, nem pensar. Entre os cincos irmãos ela fora a escolhida para deixar a casa da família, por não ter muita intimidade com a terra, apesar de não negar trabalho.  

Tem gente que não acredita que existe destino. Penso que ele existe e ainda se cruza com outros...
Dr. Roberto, médico conceituado da pequena cidade de Palestina, no interior de São Paulo. Não imaginava que aquela mulher morena, marcada com a cor forte do sol, fosse entrar na sua vida e marca-la tão profundamente. Existencialmente. Dr. Roberto, além de médico respeitado, era fazendeiro bem sucedido na criação do gado. O café da sua fazenda era premiado internacionalmente. Zeloso. Café de boa qualidade. Beto, como era chamado pela gente do povoado. Gostavam de chamá-lo assim. Ao chamá-lo de Beto criavam uma relação de proximidade e intimidade. O “doutor” o deixava distante e o Beto era um homem como qualquer outro.

Homem vaidoso quando a prosa era coisa da sua fazenda. Do queijo que produzia. Dos prêmios que seu gado ganhava nos concursos pecuários. Parecia um pavão com peito estufado de tanto que gostava do seu belo pedaço de terra. Sem cerimônia. Gostava de coisas simples. Uma cachaça do seu alambique. Apreciava. Com orgulho! Nunca deixava de atender quando era chamado para socorrer um enfermo. Sempre cumpridor da sua missão. Quando não auxiliava as parteiras na divina tarefa de trazer gente nesta terra, ele próprio fazia o parto. Era adorado.

Habituou-se, em quase todos os dias da semana, logo de manhã, a tomar café feito no fogão à lenha no Boteco do Zé Bigode. Só no domingo não cumpria este ritual diário, tomava café com a família e depois iam à missa. Religiosamente. Homem religioso. Mas durante a semana, ali no bar do compadre Zé, conversava com todos. Contava piada. Homem de boa prosa. Indicava o nome do melhor remédio para acabar com os carrapatos do gado dos sitiantes. Toda esta convivência diária com gente da roça não lhe tirava a autoridade como médico. Respeitado por todos. Homem incansável na atividade de curar as mazelas do povo dali. Muitos sitiantes procuravam-no para se aconselhar. Muitos outros o procuravam para que ele pudesse arrumar uma colocação de emprego na fazenda ou mesmo na cidade.    

Foi com essa coisa de arrumar emprego que ele conheceu seu Geraldinho, sitiante daquela região. Anos antes tinha empregado um dos seus filhos. Num certo dia, depois da prosa sobre o melhor tratamento dos suínos, Geraldinho, com toda intimidade que tinha com o Sr. Beto, solicitou-lhe ver a possibilidade de arrumar um serviço em sua casa na cidade para sua filha Antonia. Justificou o pedido dizendo que o doutor sabia que seus filhos eram trabalhadores. “Justino nunca lhe decepcionou. Não é?” “Mande a menina falar com a patroa, seu Geraldinho. Parece que ela está mesmo precisando de alguém para ajudar na cozinha.” Foi assim que a moça Antonia começou a trabalhar na casa do seu Beto. O dinheiro que ganhava mandava para a família e pouco desfrutava.

Com pouco tempo de serviço na casa de D. Elvira, esposa do Dr. Roberto, Antonia destacou-se como ótima cozinheira. Quituteira de mão cheia. Ganhou a simpatia da casa. Dr. Roberto tratava todos os funcionários com respeito e era por eles considerado um excelente patrão. E assim, os anos foram-se passando. Os filhos nasceram, a esposa se foi.

D. Elvira faleceu ainda jovem, com um câncer que em poucas semanas lhe tirou a vida. Antes da morte da esposa, o senhor Beto jamais tivera atrevimento com Antonia. Porém, com o passar do tempo, foi se afeiçoando pela empregada que agora fazia o papel de mãe. Cuidava dos filhos do patrão como se fossem seus. Os olhares. O sorriso maroto com o canto dos lábios denunciava que ali Já existia um grande amor. Em um momento de intimidade com Antonia anos depois, ele disse sussurrando que ela tinha lhe chamado a atenção. Que sua beleza era impactante. Enchia os olhos. Terminou a conversa dizendo que a amava. Apesar de ele estar viúvo, aquele amor tinha que ser escondido. Os filhos dele não aceitariam que o pai se casasse com a empregada da casa. O amor deles era intenso, mas escondido.

Não demorou que eles tivessem um caso às escondidas.  O doutor pensava em como reagiriam os filhos diante daquela paixão. Como explicar ao pai de Antonia que ele estava apaixonado pela sua filha? O medo e a insegurança o fizeram manter aquele romance escondido. Este tempo escondido teria sua validade vencida. Antonia engravidara do seu amor oculto.

O destino faz as pessoas se cruzarem em suas existências, mas também as distancia. Quando o pai de Antonia ficou sabendo da gravidez da filha, disse em alto e em bom som que não tinha filha desonrada. “Desavergonhada! – gritou para ela. Esqueça que sou seu pai.” E antes que o Dr. Roberto ficasse sabendo que ela estava grávida, Antonia abandonou a casa. O médico só ficou sabendo da sua gravidez pela conversa dos alcoviteiros. Antonia saiu da cidade sem rumo, e durante boa parte da gravidez percorreu o interior paulista até chegar a São Paulo. O doutor, inconformado com o seu desaparecimento, pôs gente atrás. Aonde aparecesse uma noticia de Antonia ele ia, a fim de encontrar seu grande amor. Mas talvez agora fosse tarde demais.

Antonia chega a Santos com dores de parto. O bebê estava prestes a nascer. Dilatação. Os moradores a encaminham à casa de D. Maria, uma senhora que conhecia tudo sobre ervas e reza. Ali poderia receber atendimento. Poderia ser acalentada. Na casa de D. Maria, sofrendo com as dores do parto cada vez mais fortes, espera por poucos minutos a parteira mais conhecida da cidade, D. Catarina. A jovem Antonia confessa a D. Maria que não poderia ficar com aquele filho, pois não teria como criá-lo. As lágrimas tomam conta dos seus olhos e ela diz, gemendo de dor, que não era este o seu desejo.
Enquanto ela é preparada pela parteira, D. Maria corre até a vizinha que tinha uma vontade louca de adotar uma criança. Antes de o bebê vir ao mundo, o casal – Pedro e Ana – corre para a casa de D. Maria para assistir ao parto e ficar com a criança. Realizados.

Nasce o bebê. Um menino mirradinho. Chorão. A mãe, com a voz embargada, pede para D. Catarina não deixá-la ver a criança: não gostaria de guardar sua imagem na memória. O casal recebe o menino em seus braços, os olhos brilhando, e a alegria toma conta de Ana e Pedro. A mãe mal fala com o casal, só pede que criem o menino com muito amor.

Antonia teve uma gravidez difícil, tomada pela solidão. Depois de recuperada partiu em busca de reconstruir sua vida. O que aconteceu com Antonia? Será que encontrou Beto novamente? Conta-se que meses depois ela apareceu na casa de D. Maria, acompanhada de um senhor, em busca do filho.  A senhora que atendeu a porta da casa disse que o casal que o adotara tinha se mudado da cidade e não sabia de seu paradeiro.


Será que o senhor que a acompanhava era o Dr. Roberto? Nunca saberemos. Imagino a dor e o sofrimento de uma mãe que deixa de criar um filho porque as circunstâncias são adversas. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

EU...


                                                       “Se for falar de mim me chame, sei coisas terríveis ao meu respeito” - Tati Bernardi
Ultimamente ando brigando muito contra o meu eu. Eu falo. Eu faço. Eu quero fazer. Eu quero mandar. Eu quero assim do meu jeito. Eu sou assim. Enfim, “eus” que não acabam mais. Eus! Estes “eus” são tão sozinhos! Estes “eus” não agregam, separam. Egoísmo puro. Egocentrismo.

Será que precisamos de tantos “eus” para nos autoafirmarmos?  Será que precisamos destes “eus” para sermos felizes? Será possível ser feliz sozinho? Estes “eus” narcisistas impedem que possamos viver coletivamente. O “eu” exagerado no dia a dia tem dificultado a convivência entre as gentes. É um tentando passar a perna no outro. É um Deus nos acuda. A ética que exigimos do outro passa longe do nosso “eu” autoritário. Uns “eus” que não conseguem enxergar o outro. Não pode dar certo.  
Eu falo o que penso, mesmo... Na lata! Não estou nem aí! Fodam-se os outros. Eu sou mais eu! Pensar e agir desta forma é achar que o mundo tem que girar em torno de si. Não confunda a pessoa autêntica com aquela a quem falta educação. Quem fala e agride os outros, desrespeitando-os, é simplesmente um individualista. Não constrói. Divide e afasta.

Todo dia encontramos gente sofrendo de quase tudo por não saber lidar com seus “eus” doentios. É comum o egocêntrico achar defeito em tudo. Achar defeito nos inimigos e amigos. Este cara é aquele que não consegue se enxergar. Enxerga seus defeitos nos outros. É rapidinho para apontar os defeitos dos outros. Bem rápido para colocar qualquer um para baixo. Por outro lado, ser um pouquinho egocêntrico não é tão ruim assim: funciona como forma de defesa. O que não é saudável é justificar seus fracassos e medos usando seus “eus” para esconder-se de quem realmente é.


Os “eus” sem noção são aqueles chatos que quase ninguém aguenta ficar perto. É o sabe-tudo. É aquele que começa uma conversa e fala sozinho. Uma fala sem vírgula e ponto final. Chuta a bola no escanteio, cabeceia e marca o gol e ainda pergunta sua opinião. Não é fácil. Gente assim é difícil de entender a dor do outro. Entende só da sua dor. É gente que precisa de cuidado. Interrompendo a sua fala eu...

quinta-feira, 23 de junho de 2016

SR. BENEDITO VIVIANI: O HOMEM QUE DISTRIBUÍA SONHOS





Meu Deus do céu, receba com alegria o Sr. Viviani na sua morada. Ele partiu daqui e com ele levou toda sua generosidade e alegria. O Sr. Viviani foi um inventor de ideias recheadas de bom humor. Meu Deus deste mundo, ele consertava lâmpadas, assim diziam. Meu Deus, ele foi um dos homens que ajudou a construir o Hospital de Cotia. Deus, ele era tão criativo que ajudou a construir um foguete, o Sputnik, bem antes que os russos. Era um homem que estava à frente do seu tempo. Meu Deus deste imenso mundo, ele me ajudou a escrever dois livros com sua memória de elefante.

Pouco tempo antes de completar 88 anos, nas conversas que tínhamos, eu adorava testar sua memória com “causos” sobre Cotia. Dizia ele, com orgulho do poder da sua memória, que se lembrava de datas e casos distantes no tempo. Meu Deus, com a idade que tinha parecia um menino danado. Seus olhos brilhavam diante das suas histórias. Escrevi cada uma delas. Meu Deus, juro de pés juntos que tenho uma única preocupação: quando ele encontrar o seu amigo Yano e outros que daqui já foram, o Senhor terá que criar um departamento de invencionices aí no céu.
Um abraço, meu amigo, descanse em paz. 




                                                                                                                               Cotia, 23 de junho de 2016.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

ESQUECIMENTO


Quem já guardou um objeto que estima e não se lembra do lugar em que deixou? E o pior de tudo, quanto mais tenta lembrar o lugar que guardou o tal objeto a memória não ajuda. Falha! Quanto mais tenta se lembrar de onde guardou, pior fica! Apagão. Pergunta-se: será que perdi? Será que alguém surrupiou? Quem poderia ter feito isto? Tenta incansavelmente reconstruir passo a passo momentos anteriores para lembrar em que lugar guardou aquele objeto. A memória não ajuda. Quanto mais dificuldade a pessoa tem para lembrar, ela vai sendo acometida de um desespero geral. Entra em pane! O que está acontecendo com a minha memória?

A tentativa de lembrar-se do que guardou é tão grande, que os miolos chegam a esquentar. Chega a sair fumaça do cérebro. Depois de muito tentar começa a achar que seu esquecimento pode estar ligado a algum tipo doença.  Pensa logo em procurar um médico. Antes disto conta o que esta acontecendo aos amigos próximos que de imediato dão seus diagnósticos sem qualquer cerimônia e fundamento cientifico. Dizem: Fulano, pode ser aquela doença que com o passar do tempo a pessoa vai perdendo a memória.  Procure um médico.

Vai à escola buscar a filha no final do dia e é avisado que ela não foi à aula. Quando isto acontece duas vezes, começa a ficar preocupante. A moça que entrega as crianças aos pais no final do expediente escolar olha pra você com um sorriso desconfiado, quase dizendo que você deve estar meio maluco (risos). Agora, é reconfortante quando outros pais dizem que fizeram o mesmo. Outra situação: esquecer o nome de alguém que você conhece e de repente a pessoa está na sua frente e você não se lembra de jeito nenhum. Dá uma angustia tremenda! Inusitadamente logo digo: esqueci seu nome. Gargalhada geral. A pessoa também pode dizer “procure um médico”. Neurose total!

Ainda preocupado com esta coisa de esquecimento, conversando com alguns pais na porta escola, no meio deles encontrei uma psicóloga e terapeuta que tranquilizou todos os que ali estavam, dizendo que esta coisa de esquecer pode ser stress. Cansaço.  Esta crise econômica e política de instabilidade quase total também podem influenciar neste cansaço mental. Confortante mesmo é saber que você não esta sozinho nesta onda de esquecimento. (Risos!)


Já ia me esquecendo de dizer...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

DIA DOS NAMORADOS


Não tenho nada contra datas comemorativas. Até curto algumas. Porém, o dia dos namorados é uma data que não deveria existir no calendário. Uma data voltada apenas para o consumo (nenhuma novidade). Também não tenho nada contra consumir. Adoro! Namorar é bom quando fazemos quase todo dia. Namoro se constrói. Casados também já namoraram. Casados também namoram. Tem gente que namora há mais de trinta anos e ainda não se casou. Eternos namorados. Tem gente que namora só no dia dos namorados, até meia noite, depois vira abóbora. Alguns namoram até receber o presente e logo desaparecem. Tanto ele como ela. Pura sacanagem. Namoro fugaz.

Não é por isso que não curto este dia. Tente marcar um jantar em um restaurante no dia dos namorados. Não será fácil. Em alguns restaurantes é preciso marcar trinta dias antes, e ainda enfrentar uma fila de espera de duas horas ou mais. Não há romantismo que aguente! Até o churrasquinho do Bernardo, no centro de Cotia, tem fila no dia dos namorados. Já que me lembrei do Bernardo, seu churrasquinho é uma delicia! Tente ir a um motel neste dia. Tente! Enfrentará filas e mais filas. Outro detalhe, neste dia os preços dobram ou triplicam. Há quem perca até o... com esta crise. Outra coisa, namoro é namoro. Amor é algo sublime, bem diferente de namoro. Não é preciso esta patacoada para dizer que ama alguém. Amor são gestos...  

Continuo dizendo que não tenho nada contra este dia. Imagine alguém que não esteja inserido neste mercado de consumo. Mercado alucinado. Com certeza usará de recursos criativos. Encontrará a amada e lascará um abraço. Quer um presente maior do que um abraço? Encontrará a amada e lascará aquele beijo. Toda esta emoção de surpresa produz afeto.  Quer algo melhor de que um beijo “caliente”? Assim deste jeito e com muita emoção, vale a pena comemorar o dia dos namorados. Fazer um jantar. Presentear com uma boa conversa. Não estou maluco. Quem poder presentear seu namorado ou namorada com um lindo relógio é muito bacana. Quem puder abrir uma boa garrafa de vinho, também é muito bacana. Não tenho nada contra o sentimento alheio. Sou a favor do afeto verdadeiro.


Se você só pode dar um abraço e um beijo também é bacana. Também é namoro. Estamos precisando tanto de afeto! Estamos precisando tanto nos acertar emocionalmente com o namoro! Acertarmos no amor! Não é um objeto de consumo que determina a intensidade de um namoro. Talvez um abraço, um beijo e uma boa conversa determinem a intensidade de um namoro muito mais! Mas uma caixa de um bom chocolate abre um sorriso intenso. É disto que estamos precisando, de alma e sentimentos verdadeiros. Colocar alma naquilo que define nossa felicidade. Vou usar de sinceridade: não se esqueça desta reflexão acima e no dia dos namorados caia no namoro com afeto. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

INIMIGOS


O Facebook é uma ferramenta maneira, ele permite que escolhamos nossos amigos (assim dizem), mas seria melhor se pudéssemos escolher nossos inimigos. Não seria bacana? Imagine: inimigo invejoso, inimigo ciumento, inimigo traíra, inimigo que se faz de amigo, mas é inimigo. Inimigo de todo tipo. Teríamos centenas de inimigos, conscientes da sua inimizade. Como seria bom!

Se fossemos catalogar todos os tipos de inimigos não caberia nesta folha de papel.

Decepcionamo-nos com um amigo porque acreditamos que todos são amigos de verdade. Não é bem assim. Começamos a perder um amigo quando ele passa a participar de nossas vidas. Descobre as nossas fraquezas. Descobre que não somos tudo aquilo que parecemos ser. O bom inimigo é aquele vai se nutrindo de informações da gente e espera a hora certa para usá-las. Xeque mate! Ficamos perplexos!

O inimigo não é uma entidade de fora para dentro, ele ganha vida a partir das nossas atitudes. A partir das nossas carências. A partir dos nossos medos. O inimigo perfeito é aquele que conhece em detalhe o jeito que nos comportamos diante de uma dificuldade. Ele encontra uma brecha para dizer que deveríamos agir desta forma. Tem a receita certa sem riscos. Acreditamos ingenuamente.

O inimigo como entidade vai se apoderando lentamente dos nossos sentimentos. Ele parece um ser maravilhoso porque alivia-nos superficialmente das nossas dores. Ficamos embevecidos. Elogia falsamente. Aos poucos vai tomando nosso espaço. O inimigo deseja ser como nós, com defeito e tudo. Ele inveja a casa em que moramos. Ele inveja nossa família. Ele inveja nosso sorriso.  É... nós que o escolhemos, infelizmente.

Não gostamos de correr riscos. Entregamo-nos de corpo e alma aos nossos inimigos. Inimigo bom é aquele que aconselha pensando como vai tirar proveito em determinado momento. Uma forma de evitar inimigos é nos conhecermos. Inimigo não é tudo de ruim. Eles nos ajudam a crescer. Colocam os dedos em nossas feridas. Amigo que só fala aquilo que queremos ouvir não é tão amigo assim.

O autoconhecimento evita que inimigos se aproximem. Na medida em que sabemos lidar com nossos medos e angústias não precisamos de muletas. Não precisamos de inimigos. Livra-nos dos inimigos.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

FILHOS DA MÃE


Mãe! Não tem ninguém neste mundo que não seja filho da mãe. Todos nós somos filhos de uma mãe. Mãe que acalenta. Mãe que alimenta com seu leite materno. Mãe que se alimenta. Mãe que protege o rebento dentro da sua barriga. Útero. Nasce aí um sentimento profundo. Para sempre. Mãe que abre mão dos seus projetos para cuidar dos seus filhos. Mãe que diz com a boca cheia que seu filho é o melhor do mundo. Mãe não vê defeito, só enxerga qualidades. Esta coisa de ser mãe é única. Se existe uma fatalidade do filho partir antes do que a mãe, ela ainda continua mãe. É um sentimento tão forte que mesmo diante de uma tragédia não acaba.

Não precisa ter barriga de grávida para ser mãe. O ato de ser mãe é um sentimento. Mãe é um sentido que encontra seu filho em um orfanato. Mãe recebe o filho da barriga de outra mãe. Ama intensamente. Existe tia-mãe. Existe avó-mãe. Existe vizinha-mãe. Existe uma mulher que pode ser mãe se dedicando a socorrer os filhos de outra mãe. Caridade. Existe mãe de todo jeito. De todo tipo. Mãe é adjetivar: Lindo. Inteligente. Fofo. Excelente e outros. Mãe guarda as roupas dos seus rebentos para nunca perder o cheio do nenê.  Que ninguém neste mundo chame seu filho de feio. Confusão na certa. “Filho não se esqueça de colocar a blusa que vai esfriar.” Cuida. E quando os filhos da mãe crescem e trazem o namorado ou a namorada para ser apresentado, a mãe sente tanto! Eles crescem...

Filho da mãe, neste domingo retribua o amor que tanto recebeu. Abrace sua mãe. Acaricie. Faça um chamego. Quem não gosta de um chamego? Caso não possa simbolizar através de um presente o seu carinho pela mamãe, pois a crise está feia, faça uma visita. Mãe também gosta de receber carinho. Mãe também chora.  Mãe também tem seus conflitos interiores como você. Retribua. Não seja ingrato. Seja grato. Caso sua mãe tenha se transformado em uma estrela, busque na memória tudo que ela fez para você. Ela está presente. Lágrimas de saudade. Fale sobre ela para seus filhos. Conte a história dela para seus rebentos. Mãe também vira avó.  Para as mães os filhos nunca crescem. Mãe deixa os filhos infantilizados para sempre. Não goste dela só no domingo, goste todos os dias.


Mãe também é gente!