Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

RECEITA DO PASTEL DE FARINHA DE MILHO (PASTEL CAIPIRA).


Nunca imaginei que em um encontro com amigos, pudesse suscitar tantos sentimentos
adormecidos. Lembranças, costumes e hábitos há muito tempo esquecidos, vieram à tona. A Receita do Pastel de Farinha de Milho foi apenas um detalhe, nela existe um universo de  significados bem maior que os ingredientes em si. A família Oliveira tem está receita a mais de cem anos circulando entre eles. Quantas Histórias a cada “massada”? Muitas! Histórias de dores e alegrias.


Uma delícia. Está receita vem da Bisavó da Dona Maria. É bom lembra que o milho era alimento comum nesta época.


Mão na massa:

Leva-se a uma bacia; farinha de milho, uma pitada de sal, a gosto. Para dar a liga na massa, um punhado de farinha de mandioca, junte tudo. Enquanto isto, água quente, não fervendo! Água quente e fervendo é bem diferente uma dá outra. Jogue a água aos poucos na bacia com os ingredientes  e mexa com uma colher de pau, use a mão para sentir a textura da massa quando ela estiver mais fria. Dê uma surra na massa, o tato das mãos é muito importante. A mão vai dar o momento da maciez da massa, com a mão vem um monte de sensações de sentimentos.



                                     
 Dona Maria Domingos da Silva e o senhor Joaquim Domingos de Oliveira(noventa anos) O Pastel Caipira uma tradição de família.







O recheio ao gosto: carne, frango, queijo, camarão, carne seca e outros.

Um outo ingrediente, que não pode faltar, é o burburinho em volta,  muitos causos, muitas Histórias, literalmente, colocar a  conversa em dia.  O sabor fica diferente.  Uma tarde na casa da família Quintino reforçou a ideia de que família é fundamental na formação emocional de cada um de nós. Uma pausa: família como ela está constituída hoje, bem diferente do tempo antigo, as mudanças tem que ser respeitadas. Outra dica no preparo da receita, não fique com medo de errar o jeito de fazer a massa, faça, ela pode ficar seca e ao fritar o pastel rachar, se isto acontecer faça de novo, quantas vezes for preciso. Uma hora sua mão e o paladar vão lhe dizer que assim está perfeito. A vida não é diferente, ela é construída de acertos e erros.


A pressa não combina com esta receita, antes teve o almoço com um cardápio de dar água na boca, galinha caipira, polenta, macarronada, muita risada e conversa boa. Lógico que sobrou um espacinho para maldizer dos outros. (risos). Um encontro como este não pode ser intermediado pelo celular e pela rapidez do fast food.
O Pastel ficou para o final da tarde.  No nosso caso depois do terço dá Santa Peregrina. Surge lentamente na estrada do sítio a figura emblemática do senhor Joaquim Domingues de Oliveira (conhecido como Joaquim Sulino), com seus noventa anos, com a santa nas mãos em procissão. Um amigo sussurra, tão perto de São Paulo, e tão distante. Reza, café, chá de gengibre e amendoim. Um belo dia. Pronto o Pastel Caipira, frite o pastel no óleo não muito quente, apenas quente. Foi um dia destes que vai ficar na memória

Prof. Marcos Roberto Bueno Martinez


quarta-feira, 5 de junho de 2013

UMA INFORMAÇÃO RAPIDINHA.


CRECHE NÃO É DEPÓSITO DE CRIANÇA. (1)

No último programa da Rede Globo, Profissão Repórter, abordou o tema das mães que passam dias, meses e até anos esperando, por uma vaga em Centros Educacionais (creche), confesso que fiquei constrangido em ver o descaso do poder público, que poderia ser resolvido com planejamento e vontade política. Afinal, dinheiro tem!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA LÂMPADA QUEIMADA E OUTRAS




Humor é o que não faltava na Cotia antiga. Parece que alguns moradores ficavam o tempo todo pensando em quem aplicar uma peça, qual amigo seria a bola da vez. Os ‘causos’ são vários e divertidos. Selecionei dois textos para curtirmos juntos.  Solte a imaginação.

Benedito Viviani, quando começou a lembrar da brincadeira da “história da lâmpada queimada” e outras traquinagens, estampou no rosto um sorriso de menino maroto. O Depósito de Materiais de Construção Bandeirantes era o lugar de encontro da turma, que inventava as diversas brincadeiras que embalaram uma geração inteira, na década de 60, em Cotia.
No ano de 1964 espalharam em Cotia e na região milhares de folhetos anunciando a invenção do conserto de lâmpadas queimadas. Harayuki Yano, Manoel Oswaldo de Oliveira e o Sr. Calil foram os idealizadores dessa armação. A vítima escolhida pelo grupo foi o Sr. Viviani. E como se não bastassem quase três mil folhetos distribuídos, a equipe ainda colocou em pontos estratégicos da cidade faixas com o endereço de Benedito Viviani e a seguinte informação: “lâmpada comum, 5 mil réis, a farolete, 10 mil.”  
Depois do marketing realizado, Viviani começou a receber centenas de lâmpadas queimadas em sua casa. Muitas vezes, Viviani mandava a pessoa levar as lâmpadas no deposito do Sr. Yano e dizia que a máquina de conserto estava na loja. A fama de “gênio da lâmpada”, apelido atribuído ao Sr. Viviani em virtude da brincadeira, foi além das fronteiras do município. Quando chegava ao banco em Pinheiros, para cuidar dos seus negócios, o gerente perguntava como estava sua fábrica de conserto de lâmpadas. Respondia Viviani com o bom humor de sempre: “Vai muito bem”. Numa festa realizada em prol do hospital de Cotia, na casa do Dr. Odair Pacheco Pedroso, com mais de 150 pessoas presentes, de repente acabou a energia elétrica. De surpresa o Dr. Odair gritou à multidão: “Chamem o Viviani!”. Um anúncio foi parar no quartel de Quitaúna. Quando o sargento ficou sabendo que um irmão do “gênio da lâmpada” era seu cadete, passou a tratá-lo com privilégios.
Durante dez anos o Sr. Viviani foi perseguido com a história da lâmpada. Um morador da Granja Viana deu graças a Deus quando ficou sabendo da oficina de conserto de lâmpadas. Esse morador guardava há muitos anos uma lâmpada de estimação, para quando aparecesse o invento que a pudesse consertar. Na porta da casa da família Viviani, num final de tarde, apareceu um senhor acompanhado de seu filho com uma sacola cheia de lâmpadas. O menino, juntamente com o pai, estava subindo a escada, e, num singelo descuido, quebrou uma lâmpada. O pai, irritado, deu umas palmadas no garoto. Dizem que o senhor morava no bairro do São Joaquim. Para que se tenha uma idéia da dimensão da brincadeira, o Sr. Viviani foi procurado por um jornalista da revista “O Cruzeiro”, que gostaria de entrevistá-lo.

Atenção: o Sr. Viviani, que durante tanto tempo foi o mestre do conserto de lâmpadas, quer passar sua experiência ao herdeiro do Sr. Yano – o sobrinho, Reinaldo Yano. Se você tiver alguma lâmpada queimada pode entregá-la para conserto na Casa Yano...
 Professor Marcos Roberto Bueno Martinez


                                                                                         

segunda-feira, 6 de maio de 2013

TODO DIA É DIA DE MÃE.



MÁRIO QUINTANA
  Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito

Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!


O dia das mães está chegando e como todo dia comemorativo começa o movimento frenético das compras. Muitas vendas!  Os comerciantes projetam vendas melhores que o ano anterior e ao sair de casa para adquirir um presente chega a ser estressante, mas é um gesto importante e simbólico para mostrar o amor que sentimos pela progenitora. O presente é um intermediário para agradecer a dedicação, o carinho e os cuidados que as mães dão durante a vida dos seus rebentos. O meu presente este ano vai ser um abraço forte e o prato que ela gosta muito, bacalhau ao forno. Assim pretendo zelar este amor de mãe e filho que começou a ser construído bem antes do meu nascimento. A minha História com minha mãe começa deste jeito.


Uma viagem no tempo:

1960: Tereza Rivera ou vovô da bala, como os netos a chamavam, era uma senhora do tipo antigo, rígida na educação dos filhos e de uma inteligência singular. Tornou-se professora sem frequentar a escola, autodidata. Por detrás desta casca grossa existia uma mulher generosa e conhecedora dos valores medicinais das plantas, os médicos da cidade encaminhavam até ela pacientes para que sua sabedoria desse um caminho de solução. Dona de um bar em Votuporanga, muitos moradores da cidade e de fora a procuravam para seus remédios naturais. Minha mãe biológica, Judite Gomes da Silva, sabendo que ali poderia encontrar abrigo, prestes a ganhar um bebe e com o objetivo de doa-lo. Pois, tinha passado uma gravidez solitária.     


Dia das mães é muito mais que um presente:

Essas coisas da vida, minha mãe biológica bateu na porta certa. Assim desta forma fantástica começa minha vida com minha mãe de coração. Como acredito que o parentesco não é de sangue e sim de espirito, ela é minha mãe de verdade. Que me educou e que soube compreender os meus  conflitos existenciais. Foi e é de fato minha mãe. Um abraço a todas as mães que de formas diferentes amam seus filhos. Um abraço a todas as mães que não puderam ser mães, mais que se colocaram a disposição para amar alguém. Sou uma pessoa de sorte, pois tenho duas mães. Qualquer dia desse eu me proponho a escrever em detalhes a História da minha adoção. Se você não pode comprar um presente e assim materializar seu amor pela sua mãe, de um abraço, se ela esta longe, ligue e dê uma palavra de conforto. Se ela se tornou uma estrela, acho que toda mãe quando parte se torna uma estrela, mate a sua saudade com boas lembranças. Agora vamos celebrar este domingo, afinal é dia das mães! 

sábado, 13 de abril de 2013

PROFESSOR: PROFISSÃO DE RISCO.


       A violência física e psicológica na relação entre professor e aluno não é um comportamento recente na educação, ela foi se construindo durante décadas, principalmente, pela falta de um projeto politico educacional consistente. Até então, nenhuma novidade, brincam com a educação, também é uma pratica antiga no Brasil. E os sintomas de que as coisas não andam tão bem, nas escolas públicas e particulares, é de conhecimento da sociedade. Os índices e estatísticas de precariedade da educação estão estampados na mídia quase todos os dias, uma notícia negativa desprestigia o profissional da educação diante da sociedade. Quantas Marias de Fátima, professora de filosofia, vão ter que levar  “soco na cara” para os políticos acordarem, os pais acordarem, os alunos acordarem e os professores acordarem de que a escola precisa ser transformada?  
Lembranças antigas: No final da década de 60 depois do recreio escolar, a professora entra na sala de aula, pede austeramente, para que todos os alunos fiquem de pé. Todos os alunos gelam diante da fúria da professora.  Ela vai até um dos alunos e lança com força um tapa no rosto do mesmo, ele fica estático diante da atitude e abaixa a cabeça. O motivo que levou a professora a esta ação grotesca é que durante o recreio, um aluno tinha batido com uma vara nas pernas do seu filho, e alguém tinha dito que a criança que praticou tal violência tinha sido um gordinho. Depois ficamos sabendo que não tinha sido o menino que levou a bofetada que bateu no filho da professora.  O garoto nunca mais apareceu na escola. Meados da década de 80, uma professora entrega a prova a seus alunos, um deles discretamente,  coloca um revolver em cima da mesa  e pergunta se aquela nota era a dele. A nota teria sido abaixo da média. No último caso a professora desistiu da profissão. Nem um dos dois casos, serve de modelo para a educação.
A violência contra o professor não pode ser analisada somente em si, mas devem ser vistas dentro de um contexto maior. Tratar deste assunto como fenômeno de um país subdesenvolvido é um engano. Essa violência física e psicológica contra o professor não é apenas privilégio  de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, ela é global. Nos países desenvolvidos os professores também estão apanhando e morrendo. Eles como nós, estão perdidos, não sabem lidar e o que fazer com a violência crescente dentro das escolas. Que criança e jovem estamos recebendo dentro da instituição escolar? É um erro analisar este fato da violência como um fenômeno das classes menos favorecidas. Ela não é de escola pública somente, mas de escolas particulares também. Segundo dados do Sindicato dos professores de Minas Gerais, 46% das denuncias de agressão contra os professores são de escolas particulares. No Rio Grande do Sul, 58% dos professores da rede privada foram identificados com estresse. No âmbito geral, 82% dos professores brasileiros sofrem algum tipo de violência. Na Argentina, Inglaterra e Estados Unidos, os números não são diferentes daqui. Não é mudando a promoção continuada como defendem alguns educadores, e colocar reprovação que vai diminuir a violência. A saída não é paliativa e nem repressiva.
Ora, na sociedade do espetáculo, o valor está na aparência, na celebridade, a escola realmente esta fora de moda. Entre o que a escola ensina e a sociedade que esta aí exige,  existe um abismo imensurável. Esta constatação também não é nova. Urgentemente, precisamos valorizar a profissão do professor, com implantação de um Plano de carreia, condições de trabalho decentes, projeto de formações continuadas, aumento de salário e implantar um projeto de autogestão, com objetivos, metas e resultados. É possível! Além da valorização do professor mais urgente é olhar para o profissional da educação (Administrativa e operacional) que a situação chega a ser calamitosa. Na escola particular o “cliente aluno” sempre tem razão. Conheço muitos professores que foram demitidos e tinham razão nas suas reclamações.  A vontade final é do cliente! A mercantilização do Ensino deve ser questionada e aprofundada?
Ok, a partir destes cuidados a educação mudaria da água para o vinho? Não! O governo tem que discutir e colocar em pratica uma escola que ande de mãos dadas com a sociedade. Os pais têm que participar da vida dos seus filhos e da vida escolar deles. A escola tem que absorver as novas tecnologias. É possível, temos experiências realizadas com sucesso, no Brasil e em outros lugares do mundo. Enquanto esta transformação não ocorre continuaremos constatando, com sabor de conformismo, outras  “Marias de Fátimas”  levando muitos socos na cara. Ficaremos indignados, depois, esqueceremos!




quarta-feira, 10 de abril de 2013

UMA VIAGEM PELA HISTÓRIA DE COTIA, COM A SENSIBILIDADE E INTELIGÊNCIA, DA JORNALISTA MARIANA MARÇAL.



ACONTECEUBEM AQUI!

Diversos lugares em Cotia foram cenários de momentos importantes para a história. Em homenagem aos 157 anos da emancipação político-administrativa do município, a equipe da REVISTA CIRCUITO foi buscar no passado fatos que não podem ser esquecidos e curiosidades que marcaram o povo de Cotia, de geração para geração. Você sabe quem foi o primeiro mendigo de Cotia? Ou os incêndios que marcaram a cidade? A importância do município para o cinema brasileiro?
Nesta e nas páginas seguintes você confere estas e outras histórias raras que marcaram a nossa cidade.
A PRIMEIRA TELEVISÃONo fim dos anos 1950, uma das primeiras televisões da cidade estava no Bar São Luiz, da família Savioli. Ela não aparece na foto porque está escondida atrás da coluna. A máquina de café elétrica e o balcão de mármore (substituindo o de madeira) eram as grandes novidades da época. Os atrativos reuniam muitas pessoas no estabelecimento, que se tornou um ponto de encontro.
JORNAL PIONEIROO primeiro jornal foi publicado em 1948 e se chamava O Cotiense. No entanto, somente em 1956 começaram a ser editados jornais regionais que reproduziam matérias associadas às transformações do município. Assim fazia o Jornal A Tribuna, de 1959. Apesar da pressão política, eram instrumentos da comunidade. Somente em 1979, chegou o Jornal da Cidade – liderado por José Torrezani e Tarrachinha.
MORRUDO – O MENDIGO
Ninguém sabe como ele chegou ou foi embora de Cotia, mas Morrudo, o mendigo, ajudava as pessoas com os afazeres domésticos do dia a dia para ganhar alguns trocados.
O ESTILISTA DENERA Avenida Denne, no Parque São George, é uma homenagem ao estilista Dener Pamplona de Abreu, paraense radicado em São Paulo na década de 1980 e precursor da alta-costura no Brasil. Foi Dener o primeiro costureiro a vestir uma primeira-dama, Maria Teresa Goulart, de quem se tornou amigo íntimo, e o primeiro estilista a sofrer um atentado político – uma rajada de metralhadora contra seu Lincoln presidencial preto, em julho de 1968. Dener transformou a ópera Carmen em música acelerada, em um desfile em 1970. A granjeira Maria Cristina Von Narozny, proprietária da loja Gift Shopping, foi manequim tanto de Dener quanto de Clodovil e a grande responsável pela vinda dos dois para a Granja Viana. Dener morava na Rua Boa Vista e, de acordo com informações, bem nessa esquina onde está o muro branco era sua residência: a Chácara Olodum. Morreu aos 42 anos, em 1978.
EPIDEMIA DE VARÍOLA
O primeiro registro de surto de varíola em Cotia data de 1791. Os corpos não podiam ser enterrados em solo sagrado, e houve a necessidade de se criar um cemitério em outro lugar, como revela documento da Igreja Nossa Senhora de Monte Serrat. Cento e trinta e sete anos depois, outro surto de varíola assombrou Cotia e região. Um relatório de higiene datado de 1926 detalha o surto pela cidade e mostra a precariedade em relação à educação sanitária e ao avanço da epidemia. Na fotografia, o senhor Joaquim Nascimento aparece vacinando uma família de brasileiros, habitantes das proximidades de Cotia.
VÍRUS SABIÁ
O mortal vírus Sabiá, isolado em 1994, recebeu esse nome porque a primeira pessoa infectada no mundo foi uma moça que contraiu o vírus na casa de seus pais, no bairro Jardim Sabiá, em Cotia. Ele causa a febre hemorrágica brasileira. O quadro clínico é semelhante ao da gripe, com náuseas e vômitos, e progride para complicações renais e morte. Foi identificado pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Acidentalmente, dois pesquisadores (um em Belém, no Pará, e outro nos Estados Unidos) foram infectados, mas conseguiram sobreviver.
FANZINEIROS COTIANOSO Fanzine Press foi o pioneiro do gênero em Cotia. A ideia do criador, Beto Kodiak, era dar espaço para bandas novas do rock paulistano e brasuca. O primeiro foi feito só por ele. A partir do número 2, juntaram-se à equipe Eduardo Coruja, Gerson Washington e Amaury Torrezani. Durou dois anos e 11 edições, feitas primeiro em xerox e depois offset, sempre antenados com as novidades do rock nacional. O Press deu “furos” até em grandes revistas da época, como Bizz, Roll e Trip. A tiragem era pequena, distribuída em Cotia e São Paulo. Chegava a outros estados via Correios e cruzou fronteiras, indo para países como Estados Unidos, Suíça, Portugal, Espanha e Angola.
INCÊNDIOS QUE MARCARAMNo dia 6 de junho de 1980 houve um incêndio no depósito do Supermercado Pedroso da Praça da Matriz. O prejuízo foi de 25 milhões de cruzeiros, e a população comprou o que restou para ajudar a família a recomeçar. Seis meses depois, reinauguraram o novo espaço. Dezessete dias depois, foi a vez de a indústria de brinquedos Genovesi pegar fogo. Foi em uma noite de segunda-feira, em 23 de junho de 1980. Vários departamentos foram consumidos pelas chamas. A empresa nunca mais foi a mesma. Anos depois, foi à falência. Um fato curioso nos dois casos foi a atuação dos usuários de PX (rádio amador), que era muito ativo em Cotia. Foram eles que mobilizaram bombeiros e demais autoridades.
DIZEM POR AÍ...Que o sino da Igreja do Morro Grande foi doado pelo então governador Adhemar de Barros, e que, na primeira badalada, rachou e quase foi confiscado por falta de pagamento. Dessa peça foram feitos dois sinos que estão até hoje na Igreja. Que o estacionamento da Rua 10 de Janeiro, no centro, foi um cemitério e há pessoas enterradas lá. Isso acontece porque ali havia uma igreja que, posteriormente, foi demolida. Quando não existiam cemitérios, os moradores eram enterrados ao redor das igrejas. A igreja não existe mais, mas os defuntos, segundo os antigos moradores, estão no espaço até hoje.
O PRIMEIRO SEMÁFORO
Foi instalado próximo do Colégio Zacharias Antônio da Silva (onde, atualmente, é a Escola Estadual Pedro Casemiro Leite) e servia para auxiliar os alunos da escola a atravessar a Raposo, que não tinha tanto movimento como hoje, mas já era perigosa.
PIZZARIA EM COTIA
As primeiras redondas saíram da Pizzaria do Dante, na Rua 10 de Janeiro, no Centro de Cotia.
APITO INICIALO time de futebol pioneiro em Cotia foi a Associação Atlética Cotia, fundado em 15/12/1980.
COMPRA DE ESCRAVOSO documento comprova o comércio de escravos em Cotia, entre 1859 e 1860. O senhor Antônio Paes Cardoso comprou de Joaquim Francisco de Moraes a escrava de nome Virginia, de 20 anos. O escrivão deste documento foi o agente João José Coelho.
CINEMA DO JUBRAN
Você acha que Cotia ganhou cinema somente agora? Engano seu. Entre os anos 1970 e 1980, no centro da cidade, havia o Cinema do Jubran. O nome mudou algumas vezes para Cine Central, Virgínia, mas era conhecido mesmo como o Cinema do Jubran, que é o nome do antigo proprietário. A lista de atrações contava com filmes da época, como Os Trapalhões, e pornochanchadas com atores famosos: Reginaldo Farias, Vera Fischer, entre outros. Mas não só de filmes vivia o cinema. Festivais de música, palestras, formaturas de escolas e peças teatrais entre tantos eventos aconteceram no local, que ficava na Rua Senador Feijó, ao lado de onde funciona atualmente a loja Tina Esportes. O cinema acabou em razão da crise do mercado cinematográfico, na década de 1980.
COTIA E O CINEMA BRASILEIROEm 1972, a série Dom Camilo e Seus Cabeludos, que tinha no elenco Otelo Zeloni como personagem principal e grandes nomes, como Ney Latorraca e Nuno Leal Maia, teve cenas gravadas na Igreja da Matriz e nas ruas centrais de Cotia, todas as terças-feiras. Os cabeludos eram liderados por Denis Carvalho, ainda em começo de carreira. A mocinha da série era Terezinha Sodré. Com o incêndio na TV Tupi, as gravações foram perdidas. Filme Mágoas de Cabloco − Há 41 anos, foi gravado em Caucaia do Alto. Contava a história de um caipira, o Chico Fumaça, personagem do ator Nhô Juca, uma espécie de imitação de Mazzaropi. Filme Amante muito Louca – Em 1973, Stepan Nercessian estrela Junior, um playboy que vira amante da amante de seu pai, vivido por Cláudio Corrêa e Castro. As cenas foram gravadas na Raposo Tavares, entre os quilômetros 28 e 30. No elenco, Jô Soares, Alcione Mazzeo e Tereza Raquel. Filme A Virgem − Estrelado por Nuno Leal Maia, o filme tinha no elenco Kadu Moliterno, Nádia Lippi, Tony Tornado e Dionísio Azevedo. Algumas cenas foram gravadas próximo da churrascaria do Km 30 da Raposo Tavares e no jardim que tinha em frente. Vocês sabiam que uma cena do filme Pelé Eterno foi gravada no campo de futebol do Morro Grande? O diretor, Aníbal Massaíni, queria reproduzir cenas antigas, e a arquibancada lembra um pouco o futebol antigo.
CLIQUES
Laerte, conhecido como Lete, foi o 1º fotógrafo de Cotia. Na foto, o da esquerda.
CINEMA EM CASA
José Félix de Oliveira e Genuíno Viana, irmão de Niso, foram vizinhos, e seus filhos cresceram juntos. As famílias conviviam como se fossem parentes. Genuíno alugava filmes da época, como O Zorro, pendurava um lençol entre dois bambus e fazia a sessão de cinema para os moradores próximos.
Colaboraram nesta matéria:
O historiador e ex-secretário da Educação de Cotia, Marcos Martinez, e o jornalista Beto Kodiak.