Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O POETA MANUEL BATISTA CEPELOS NASCEU EM COTIA.

 
HISTÓRIA
A família de Manuel Batista Cepelos, ainda está em Cotia, uma boa pista para pesquisa sobre o poeta. Batista Cepelos nasceu em Cotia em 10 de Dezembro de 1872 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 8 de Maio de 1915. O escritor foi Policial, advogado, Promotor Público, Poeta, teatrólogo e Romancista.
 
OBRAS.
 
1896- A DERRUBADA-P0ESIA.
1902- O CISNE ENCANTADO-POESIA.
1906- OS BANDEIRANTES-POESIA. 
1908-VAIDADES-POESIA.
1910- O VIL METAL- ROMANCE E NOVELA
 
O escritor João Barcelos publicou o livro: Baptista Cepellos o poeta do dram brasieliro pela ed. Edicon. O Título de Eleitor foi postado pela Virgina Gonçalves  e Evaristo Barbosa Neto (Evaristo tem parentesco com o poeta). O documento apresenta um sobrinho do poeta.  
 
  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DENOREX: PARECE MAIS NÃO É.

Lendo o livro do escritor Bernardo Carvalho* lembrei-me de personagens que permeiam nosso cotidiano e que são muitos parecidos com o chinês (personagem central do livro Reprodução, da Companhia da Letras). Vamos lá.

 FAZENDO COMPRA NO SUPERMERCADO ASSAÍ
Oi, Professor, tudo bem com senhor? Faz tanto tempo que não te vejo. Hoje o mercado está cheio. Ontem assaltaram o mercadinho lá do Bairro. Muita violência! A maioria dos ladrões era de menores de idade. Quando era Presidente da Sociedade de Amigos de Bairro, lutamos pelo asfalto, pela iluminação, pelo esgoto e pelo posto de saúde. O povo de lá era unido. Agora a violência está feia, tomou conta. Os “de menor” não respeitam os pais e não têm educação. Esse Estatuto do Menor é para proteger esses delinquentes. Se eu fosse autoridade eu colocava em prática um projeto pra resolver.

Professor, não importava a idade, tinha que construir uma cadeia para todos eles. O que o senhor acha? Só que era o seguinte, esses menores que são protegidos pela lei têm que matar aos poucos. Com comida envenenada. Esse tipo de gente não tem como melhorar: é só exterminando. É um absurdo a gente ter que pagar estadia dessa gente na cadeia, por isso que não sobra dinheiro pra educação. Direitos Humanos o escambau! O que o senhor acha? Professor, um bom final de ano e um abraço para família, estou com pressa.
UMA MÃO LAVA A OUTRA.
Oi, Garoto,quando tempo! Lembra de mim do cursinho? Então, me formei. Quem diria que nos encontraríamos aqui no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. O que você está fazendo por aqui? Ah,         já sei? Eu estou trabalhando numa multinacional,Garoto,e prestando serviço aqui por um ano, a minha família continua lá. Você está na política ainda, Garoto? Então, tenho dois filhos que estão fazendo faculdade, um medicina e o outro direito. Faculdade cara, rapaz! Você sabe que nunca gostei de política. Agora, será que consegue uma vaguinha na prefeitura, ia me ajudar muito. Apesarde não gostar de política. Que bom que vamos embarcar juntos, temos muito que conversar...Garoto, uma mão lava a outra.

 OS REBELDES DE HOJE - SEM CAUSA
Cara, os caras se venderam depois que chegaram ao poder. Continuo socialista e não abro mão dos meus princípios. Fui da luta! Agora os caras estão todos inseridos no poder a serviço da burguesia e do imperialismo americano. A única saída é a luta armada.Temos que organizar os trabalhadores do campo e da cidade. Você concorda? Tem coisa que não dá para aceitar! Comecei a trabalhar muito criança, hoje tem esse tal do direito da criança (contra trabalho infantil), tem que colocar essa molecada pra trabalhar. Você concorda? Tem mais que boicotar o império do satanás,não bebococa-cola e nem como lanches no McDonalds. Neste mundo tem muita gente reacionária, cara. A nossa luta tem que ser de classe, essacoisa de minorias é reacionária. Cara, estou indo aí... Depois trocamos umas ideias. Vou curtir um barzinho com alguns amigos.

 

 

 

 
 

 




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"ARTERICES" DE CRIANÇAS


Todo mundo deve inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique. O que cura, fundamentalmente, é o estímulo à criatividade. Ela é indestrutível. A criatividade está em toda parte (Niseda Silveira).

 Dizem que quando a criança tem uma infância recheada de brincadeiras que estimulam a imaginação e a criatividade serão adultos independentes e felizes. Talvez seja verdade. Só que criança de cidade grande é bem diferente da do interior, pelo menos no meu tempo, lá em Votuporanga. Colecionávamos gibis de super-heróis,e lá no interior eles sempre chegavam com quase trinta dias de atraso. Quando alguns de nos íamos passear na Capital e antecipávamos a chegada dos gibis, era a maior festa. Tínhamos algumas vantagens em relação às crianças da cidade grande. Colecionar bicho-de-pé, arte exclusiva do interior. Juntávamos a molecada,entrávamos no chiqueiro de alguém até pegar o tal bicho (na década de setenta era muito definido o que era brincadeira de menino e menina). Depois vinha um tempo de maturação, aquela coceira louca e frenética. Formava tipo um olho-de-peixe e assim era chamado. Essas brincadeiras simples, aos olhos de muitos, iam formando uma amizade, estabelecendo laços de confiança e companheirismo, algumas até hoje.

Também acho que criança de cidade tem suas brincadeiras. Depois da escola juntávamos a turma para jogar bola e procurar um tanquinho para dar um mergulho. Toda vez que íamos nadar escondido, nos rios ou córregos da cidade (às vezes andávamos quilômetros para encontrar um tanquinho do jeito que queríamos de baixa de muito Sol).quando chegávamos em casa sempre levávamos um castigo. Achava que alguém da turma tinha me entregado ao meu pai por ter ido escondido dele que ia nadar. Depois de adulto descobri que me pai usava uma técnica muito simples: com a mistura do sol com a água a pele ficava morena, ele passava a unha sem eu perceber e fazia um risco. O denunciante era eu mesmo. Ninguém naquela turma entregava os segredos e as “arterices” um do outro. Amizade era coisa séria. Bola queimada (nessa brincadeira as meninas participavam), corre-corre, salvo-pega, esconde-esconde, bolinha de gude, brincadeira do passa anel (era nas brincadeiras do anel que se abria espaço para os primeiros flertes) e tantas outras brincadeiras faziam parte da nossa agenda diária. Elas iam estimulando nossa criatividade e fantasias.

Hoje algumas coisas são diferentes (não que hoje seja melhor ou piorque antes, o contexto é outro). Na minha cidade do interior, tinha o guarda-noturno que, depois das dez, passava apitando e pedindo para as crianças irem para casa (íamos prontamente).Uma figura que ficávamos com medo era do juiz de menores, os adultos diziam que se ficássemos depois das dez na rua nos levaria pra delegacia. Brincávamos de olho nos carros que víamos depois desse horário, passando tanto tempo, não sei dizer se realmente existia esse personagem. Um dia, estávamos brincando de salvo-pega e alguém gritou: olha o juizado. Foi uma correria cada um para um lado. Um amigo ficou enroscado no arame farpado, levou oito pontos na coxa da perna. Ficamos uns bons dias sem aparecer na esquina da rua. Será que existia mesmo esse juizado de menores que amedrontava nossa época de criancice?


terça-feira, 24 de setembro de 2013

MEMÓRIA

Fui a Santa Isabel do Rio Negro (Amazonas) para retribuir a viagem que um grupos de alunos fizeram a Cotia em parceria com a Faculdade FAAC. Nesta foto estamos subindo o Rio Negro de Voadeira para visitar uma comunidade indígena. conhecer um projeto na área da educação desenvolvido pela então primeira Dama Ruth Cardoso.  





segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O DIA QUE CONHECI MINHA FAMÍLIA BIOLÓGICA

(ADOÇÃO: QUANDO É A HORA CERTA DE CONTAR?)

UM ASSUNTO DOLORIDO PARA MEU PAI

Quem adota uma criança imagino que fica pensando quando é a hora certa de contar sobre a adoção. Um grande dilema! Como os pais vão saber que chegou a hora de revelar? Muitas vezes a notícia da adoção chega até a criança pela boca de um parente ou de um amigo da família, pode ser revelado por certo grau de maldade ou inocência.Cada caso tem sua história. No meu caso, meus pais estavam divididos em contar ou não contar: minha mãe (não me lembro de ela ter contado) contou quando tinha seis anos. Meu pai nunca quis conversar comigo sobre o assunto, para ele eu era o seu filho e fim de papo. Esse comportamento mudou um pouco, quase no final da sua vida,falou comigo poucas vezes sobre o assunto,toda vez que tocava no assunto da minha adoção os seus olhos se enchiam de lágrimas. Com o tempo, desisti de perguntar sobre a adoção, penso que era dolorido para ele.

UM DIA ALGUÉM TINHA QUE CONTAR

Um vizinho, certa vez, me perguntou se eu sabia que era filho adotivo. Antes que eu respondesse,ele disse que eu não era filho dos meus pais. Eu respondi que era sim e ia perguntar para meu pai se era verdade o que ele estava dizendo. Quando meu pai chegou, fui correndo dizer o que aquele homem tinha tido. Meu pai ficou furioso, me pegou pelo braço, me colocou em um jipe antigo e foi até a porta da casa do homem, fez com que ele desmentisse o que tinha dito. O homem disse, nervoso, que não tinha dito nada daquilo e que eu tinha entendido errado. Depois daquele escândalo, nunca mais eu disse nada sobre quem me falava sobre o assunto. Muito tempo depois descobri que aquele homem era um desafeto do meu pai.

VOCÊ NÃO TEM O SANGUE DA FAMÍLIA

Uma coisa chata de escrever,mas preciso escrever, não com a intenção de causar nenhum tipo de constrangimento, mas que este texto sirva para alguma coisa.Muitas vezes, quando arrumava uma confusão com um parente, rapidamente dizia que eu não era da família. Sem mágoa, adoro minha família. Talvez a recordação mais forte que tive foi com minha tia Antônia, de Araraquara, interior de São Paulo, uma mulher simples e de uma sabedoria singular,contou-me uma história de uma mãe que não pôde ficar com seu filho. Com a voz mansa, foi ilustrando com fantasia e cenas reais do acontecido. Com apenas um sussurro, disse que aquela era um pedaço da minha história. Senti um alívio!

ANGÚSTIA DE NÃO SABER SUA ORIGEM: PARECE QUE ESTÁ FALTANDO UM PEDAÇO NA ALMA

Durante muito tempo me angustiei coma ideia de conhecer meus pais biológicos. A ideia de não conhecê-los me dilacerava a alma. Quem eram meus pais? Fantasiava como eles poderiam ser fisicamente. Muitas vezes associava a imagem deles às pessoas adultas com as quais eu convivia. Sem fazer um 
dramalhão, essa sensação de não conhecê-los era extremamente angustiante. Até o dia que tive a oportunidade de conhecê-los através de um sonho. Depois desse sonho comecei a entender melhor a importância dos meus pais de coração.Sonho: estava em uma represa e caminhava dentro da água como se estivesse andando em terra firme. Andava com tranquilidade e os galhos e ramos não atrapalhavam minha trajetória e enxergava sem nenhuma dificuldade,como se estivesse buscando alguma coisa... Uma voz delicadamente me disse no ouvido, olha pra cima, olhei e vi um casal com três filhos. A voz suavemente me disse: esta é sua família biológica. 

O TEMPO CERTO


Aos pais de coração,a hora certa é aquela que tem o tempo certo. Descubra.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O BURACO



 

                                                                                                                                                                 O Bicho

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Dirigindo o carro de repente você fica cego. Aos poucos milhares de pessoas na mesma situação de cegueira, epidemia, uma saída rápida e cômoda para as autoridades é segregar. Indistintamente, médicos, motoristas, enfermeiras, donas de casa, infratores são colocados em fábricas abandonadas sob rígida disciplina de controle para que fiquem presos para não espalhar a cegueira branca. Doença desconhecida pelos estudiosos e autoridades estabelecidas. Com o convívio diário sob pressão, independente da classe social, cada um ali vai mostrando o que tem de mais vil e de mais nobre.

A briga pela comida, as fezes que não são recolhidas e o ar pesa no lugar onde estão segregados. Seres humanos que viram bichos como (descritos) no poema de Manuel Bandeira. Matam como forma de saída para suas aflições. Essas descrições de homens e mulheres vivendo como bichos não são cenas de ficção. É a realidade de muitas cidades do Brasil onde o crack tomou conta. Aqui, em Cotia, não é diferente. Outro dia passando debaixo de um pontilhão que corta a Raposo Tavares, as cenas vistas não ficam devendo em nada aos melhores livros ou filmes de ficção.Gente de toda idade andando em direção o um buraco aberto na parede que protege a ponte de possível invasão. Se ali ficasse aberto viraria lugar de moradia. Esses seres, parecidos zumbis, iam à busca do quê?

Quando entrei nesse espaço que fica debaixo da ponte,ao lado do hipermercado Atacadão, e no sentido São Paulo, fica o Mercado Municipal,eu me vi nas cenas descritas pelo escritor José Saramago no seu livro Ensaio Sobre a Cegueira. Gente vivendo ali diariamente e outros de passagem no meio da bosta, ratos e outras porcarias. Alguns agressivos, menores de idade, velhos e jovens e prostituição ali debaixo do nosso nariz. Talvez possam achar que não são problemas nossos, enquanto um dos nossos não for envolvido. O que estou escrevendo e relatando não é sobre a cracolândia no centro de São Paulo, com a intervenção desastrosa do Estado, agora se espalharampela cidade os recantos de consumo de usuário de crack. A cacrolândia é aqui, bem debaixo do pontilhão da famosa Rodovia Raposo Tavares que vai de São Paulo ao Paraná.

Apenas um lembrete: essa situação social não é caso de polícia!

sábado, 14 de setembro de 2013

BAR E RESTAURANTE SÃO LUIZ


O Bar e Restaurante São Luiz esteve aberto de 1937 a 1969, na Rua Senador Feijó, Nº5 restaurante pertencia a Felício Savioli, e sua esposa Maria Francisca Bruno, devotos de São Luiz. Segundo relata Nice Savioli, o local era ponto de encontro de vários segmentos sociais da cidade. O bar deu lugar a Papelaria Savioli, em 1970, e o salão, ainda hoje, guarda no lado esquerdo um oratório com a imagem de São Luiz. Com o falecimento de Felício, em 1955, os filhos assumiram definitivamente a administração do bar.

 
   Nice, esposa de Roque Savioli, lembra que todos trabalhavam muito na época do restaurante. O Bar e Restaurante São Luiz servia comida para viajantes que vinham do Rio Grande do Sul, de Sorocaba e de outras cidades vizinhas. Rose Savioli, filha de Roque Savioli, lembra com saudade da Semana Santa, quando era servida uma farta bacalhoada. Relata Rose: “A bacalhoada era feita numa panela grande e, após a missa, muita gente ia comer sanduíche feito de bacalhau”. Nas Sextas-feiras Santas eram feitos entre 900 e 1000 pastéis de palmito. Nessa época, aparecia gente de quase toda a região: Vargem Grande Paulista, Itapevi, Caucaia do Alto, Morro Grande e outras cidades. Roque Giannetti era outro freqüentador assíduo do bar. Tinha seu ponto comercial bem em frente e ia tomar seu golinho de café todos os dias. Segundo dona Dice, depois da missa de domingo, era costume das pessoas ir ao bar tomar café e comer pãozinho com manteiga (o melhor da região).

   O Bar e Restaurante São Luiz fazia frente para as ruas Senador Feijó e Beco do Felício, hoje travessa Felício Savioli. Era o ponto de encontro preferido dos políticos. Antes do início da sessão da Câmara Municipal, os vereadores juntavam-se ali para discutir política e tomar o saboroso café. No bar, também aconteciam histórias pitorescas, e uma delas tem Roque Savioli como protagonista: ele mandou confeccionar alguns santinhos anunciando a missa de sétimo dia do vereador Dito Lopes, enquanto este gozava de perfeita saúde e muita vida. Imaginem o bafafá que deu! Alguns dos vereadores eram amigos do dono do bar. Alguns prefeitos também freqüentavam o local, como por exemplo, Carmelino, Emílio Guerra, Ivo e outros. Até Laudo Natel e Jóia Junior marcaram ponto no bar do Savioli.

   O que parece, de fato, é que o espaço do bar era um lugar onde se estabeleciam relações sociais. Segundo o Sr. Feíz, comerciante da cidade, lá foi instalada a primeira televisão do município, em 1951. Moradores de diferentes lugares da cidade reuniam-se no bar para assistir a programação. Ali se assistia a filmes do Mazzaropi e outras atrações televisivas da época. Rose Savioli lembra que muitas vezes não cabiam todos os telespectadores dentro do salão e muitos moradores da vizinhança, que vinham para a cidade de caminhão, assistiam aos programas de cima da carroceria. Alguns relatos mostram que muitos moradores vibraram com o vídeo-teipe da Copa do Mundo de 1966. É importante ressaltar que as pessoas, antes de assistir aos jogos da televisão, tinham o hábito de ouvi-lo pelo rádio. O senhor Feíz lembra de cenas engraçadas entre o Roque e o Yolando Savioli: ambos ficavam tentando arrumar o vertical e o horizontal da televisão (naquela época era assim!) e encontravam muita dificuldade para colocar a imagem em ordem. O Bar e Restaurante São Luiz, de fato, marcou época.