Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

JOSÉ ROBERTO SANTOS PEREIRA: ENCANTADOR


A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. 
Manoel de Barros
Deus, porque tem levado tanta gente querida?

Prof. Zé Roberto, era assim que os alunos de História de Moema o chamavam. Não importava o horário da sua aula na grade de disciplinas da Faculdade, estávamos na sala de aula esperando a novidade da noite.  Sempre uma boa aula. O Prof. Zé, com seu entusiasmo e conhecimento, era o nosso presente. Reflexão. Uma aula dele era uma lição de vida. As aulas eram tão fortes e marcantes que ficávamos depois do horário para discutir temas interessantes propostos pelo mestre.

A aula na grade podia ser a última da sexta feira, mesmo assim a sala estava cheia de alunos entusiasmados para saber que pedaço do conhecimento iria desmistificar aqueles momentos difíceis que vivíamos. O Zé tinha este dom de encantar.  Movimentos sociais eclodiam. Os militares resistiam. Greves. Diretas Já! Movimentos culturais surgiam de todo lado. Alunos inquietos e loucos para participar. Alunos que queriam adquirir conhecimento para entender o que estava acontecendo. Foi neste contexto de efervescência que entrou o Prof. Zé Roberto generosamente em nossas vidas. 


                                      Prof. Zé Roberto

O Prof. Zé não se comunicava com seus alunos de cima de um pedestal. O Prof. Zé não era igual aos seus alunos. O Prof. Zé se comportava como um educador. O que intermediava e enriquecia esta relação com seus alunos era o conhecimento.  O seu conhecimento pessoal também! Tinha uma capacidade quase única e pontual no uso da fala.  Nunca exagerava ou falava de menos. Pontual. Profundo. O Prof. Zé tinha uma capacidade imensa de ouvir. Quando opinava, acolhia. O interpelador falava incansavelmente e o mestre ouvia com toda paciência do mundo sem falar uma palavra. Ouvia calmamente. Depois da conversa o aluno se levantava satisfeito com o silêncio e muitas vezes com as respostas que encontrava em si.  Foi com o mestre Zé que aprendi que o silêncio também fala.

Aproveitávamos da sua generosidade. Quando precisávamos de um aconselhamento, aconselhava com carinho e amor. Não brincava com os nossos sentimentos. Não mentia. Não iludia. Apontava caminhos. Não apontava o caminho certo ou torto. Dava ferramentas para o aluno construir seu caminho. Um educador com uma postura impecável.  Conversar com o Prof. Zé era aprender como se deve respeitar o conhecimento. Respeitar a vida.  Tinha uma enorme facilidade de mostrar como éramos importantes. Assim era o mestre Zé.

Reencontramo-nos anos depois para organizarmos o Projeto de Educação para Secretaria de Educação de Cotia. Juntamos nesta época um fabuloso grupo de educadores. O mestre apontava caminhos sólidos com seu conhecimento. Um homem enriquecedor.  Assumimos a Secretaria da Educação depois de uma eleição para Secretário e o Prof. Zé assumiu a Coordenação do Departamento Pedagógico. Brilhou. Novamente contamos com sua generosidade. Os seus cursos de História da Arte eram incríveis. Os seus cursos eram concorridos.  Não brilhou sozinho, fez com que brilhássemos. Coletivo. Resta lamentar esta partida tão cedo, meu Deus!

Não era um homem completo - ainda bem - brilhava na sua incompletude. Sabia como ninguém socializar seu conhecimento. Era um encantador de gente. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CARNAVAL, OLIMPÍADAS E ELEIÇÕES...


Que tal nos comportamos de forma diferente nestas eleições?  Deixar de lado todas as pedras (no sentido figurativo) que gostaríamos de atirar nos políticos e analisá-los a partir daquilo que desejamos para nosso cotidiano? Este desejo não pode ser individual e sim coletivo. Combinado. Analisaremos como nos comportamos ou deveríamos nos comportar diante da enxurrada de informações que receberemos daqui para frente, de todos os candidatos.

Ora, todos os candidatos, sem exceção, se apresentam como um produto exposto em uma prateleira de supermercado. Impecáveis. Gastam milhões para aparecer aos nossos olhos como defensores dos nossos interesses, sempre simpáticos! Já que se oferecem como produtos, então vamos comprá-los como tal e com muita cautela.

A primeira observação é olhar a validade do produto. Prevenção. Não compramos produtos perecíveis para colocar na mesa de casa, não é mesmo? Mas atenção! Não estou falando da idade do produto... Depois devemos olhar o enunciado que apresenta este produto.  A etapa seguinte é pesquisar sua origem.   

Muito cuidado, quem vê cara não vê coração. Questionamentos. O candidato que se apresenta já teve algum cargo no poder legislativo ou executivo? Como foi seu desempenho? É bom conhecer a história deste produto todo pomposo e agora tão solícito.
Apenas uma advertência: estas indagações não impedirão você de votar errado de novo. Todos (quase todos) os candidatos criam uma imagem de vida associada a sofrimento. Desta forma nos sensibilizam. Somos um povo emotivo. Muito cuidado! Cuidado principalmente com as histórias de vida tipo melodrama mexicano.

Mesmo com todo cuidado a embalagem dos produtos pode ser enganosa. Pode dizer uma coisa e ser outra.

Há um tempo diria que a história de um candidato era importante e bastava no sentido da nossa escolha. Agora não é bem assim, eles estão muito parecidos. Fica difícil decidir. Fica difícil escolher.
Mas aqui com meus botões, não é tão difícil escolher um candidato. É só refletir nestas questões: Como anda a saúde da sua cidade? Como anda a educação da sua cidade? Como anda a segurança da sua cidade? Como anda a mobilidade urbana na sua cidade? Penso que estas perguntas podem ajudar a escolher ou formar o perfil de um candidato. Além disso, uma forma coletiva de pensar a política com ética que tanto desejamos.

Franqueza é uma coisa importante na vida. Ou nos comportamos como cidadãos que realmente queremos uma educação melhor, um atendimento humano na saúde, segurança e um transporte melhor, ou estamos perdidos. Se tivermos a mesma preocupação com política como aquela que temos com o futebol, as coisas serão diferentes. Adoro futebol.

Não vale votar em troca de um cargo que vai lhe compensar individualmente. Sabe, não vale o jeitinho... se conseguirmos pensar na escolha de um candidato a partir das nossas necessidades sociais, com certeza eliminaremos muitos candidatos sem noção do que é servir a sociedade.


Mesmo assim podemos cometer erros. Errar faz parte da nossa caminhada... O que não podemos é deixar os outros decidirem pela gente ou fazer de conta que política é algo distante e que não faz parte da nossa vida. Os produtos engomadinhos adoram este tipo de comportamento.  Até agora analisamos a aparência, a embalagem, falta olhar o conteúdo deste nosso produto.  Aí precisamos aguçar os nossos olfatos.  Porém, este critério também é muito importante para escolher um candidato e será preciso escrever um outro artigo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

UM CONTO DE CARNAVAL


Naquela pacata cidade do interior ninguém imaginava que Dorotéia faria o que fez. Ninguém mesmo! Nem o Padre Adalberto. Dorotéia, moça recatada. Tímida. Quando saía de casa para ir à missa atravessava a praça com a cabeça escondida entre os ombros. Na cidade ninguém conhecia seu olhar. Nunca dera ousadia a ninguém. Mas em que lugar deste mundo não há um alcoviteiro? Em todo canto. As más-línguas falavam. Diziam que ela cobria o corpo todo com aquela roupa preto grafite até a cabeça por sofrer de um amor não correspondido. Um abandono amoroso bem no início da adolescência.  Gervásio, o chalaça do lugar, dizia de boca cheia que tinha visto a moça há muito tempo se banhar na Lagoa da Serra. Dizia ele, corpo escultural. Ninguém no lugarejo acreditava em Gervásio por contar muita mentira. Mentiroso de mão cheia.  

Além das missas, que Dorotéia não perdia todos os dias no mesmo horário, ela também visitava o confessionário de Padre Adalberto. Do seu trajeto, que consistia vir do final da rua principal da cidade até o Largo da Matriz, Dorotéia caminhava impecável. Lentos passos... o braço junto do corpo se movia a cada passo com leveza. Os homens suspiravam, os olhos das mulheres eram invejosos. Elas também invejavam aquela solidão retida. Que segredo guardava Dorotéia, perguntavam-se as mulheres da vila. Às três da tarde em ponto ia rumo ao confessionário, sentava-se espartanamente e conversava com o padre com voz baixa e suave. Uma única vez um deslize, e aqueles que estavam na fila do confessionário viram algo da moça em apenas um lapso de segundo: um descuido e o seu véu preto caiu. Antes que chegasse ao chão pegou-o no ar e cobriu o rosto novamente.  Todos viram uma lágrima correr pelo seu rosto. Porque aquela lágrima? O que ela revelava?

Da casa da família de Dorotéia ninguém ouviu um barulho naquele Carnaval. Eles ouviam marchinhas antigas, soube-se depois, mas ouviam com extrema discrição. O volume da vitrola era tão baixo... Há alguns anos a família morava ali e ninguém se aprazerava da amizade dos moradores daquela casa. Janelas fechadas que se abriam em raras exceções. Apenas quando a procissão passava e mesmo assim nem sempre a janela se abria. A família de Dorotéia viera morar na cidade vinda da cidade grande. Da metrópole. Na igreja sentavam-se religiosamente nos bancos da frente o pai, a mãe e dois irmãos.  O silêncio e a educação daquela família provocavam urticárias na língua dos beatos e beatas. Que segredo guardava aquela família? Os maledicentes inventavam histórias fantasiosas. Será que eles teriam vindo fugidos da polícia?  A completa discrição da família de Dorotéia incomodava os invejosos.

Naquele dia em que o véu caiu e Dorotéia ficou desprotegida, a conversa dos fofoqueiros da fila da confissão beirava a loucura: alguns diziam que a moça era bela, cabelo comprido e preto, os olhos castanhos e os lábios grossos. Somente Valdirene dizia que Dorotéia era nariguda e feia. Pura inveja. Feia era Valdirene. Solteirona rancorosa. Mexeriqueira. Uma coisa pode-se dizer tranquilamente – Dorotéia era linda.

Com a chegada do Carnaval a rua principal se enchia de foliões. A cidade, que não tinha mais do que dois mil habitantes, neste período de festa pagã chegava a vinte mil. Muita alegria. O que os moradores não sabiam era que aquele carnaval seria diferente dos outros. Bem diferente, mas não trágico...

Na terça-feira de Carnaval, a casa silenciosa reverberava marchinhas estridentes. As janelas estavam escancaradas e o “Pierrô Apaixonado” era ouvido na outra extremidade da rua. Barulho incomum naquela casa, mas tanto o barulho como as brincadeiras de lança perfume e a algazarra não foram percebidos pelos foliões. Ninguém se atreveu a dar uma olhadinha pela janela aberta, nem mesmo se importou com a novidade estranha, pois blocos e mais blocos passavam pela rua chamando quem quer que estivesse por ali para a folia.

A música alta na casa só foi percebida na manhã de Quarta Feira de Cinzas. Quando os moradores começavam a despertar e caminhavam para a missa, os curiosos começaram a se aglomerar na frente da casa. Ninguém se aproximava da janela escancarada, enquanto as marchinhas continuavam ecoando pela rua sem nenhum pudor. “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...” “Quanto riso, oh, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão...” “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí...” A urtiga das beatas aumentava assustadoramente a cada nova marchinha. Não demorou em surgir a pergunta no meio da multidão: “- Quem tem coragem de entrar na casa para ver o que está acontecendo?” Antes que alguém fosse indicado pelos curiosos, Gervásio saltou como um gato e soltou um grito. Eu!
Começou a “entração” de Gervásio na casa, cômodo por cômodo. Depois de alguns minutos o alcoviteiro apareceu na porta da frente com os olhos esbugalhados.  A multidão se espantou. Alguém exclamou: “- O que aconteceu?” Gervásio sem cor e sem voz disse ter sumido todo mundo da casa. Não tem uma alma viva na casa. Até os móveis sumiram, menos a vitrola que tocava marchinhas. Espanto geral. Será que foram sequestrados? Será que foram abduzidos? Perplexidade! Toca o sino da igreja e os fieis caminham para a Missa de Cinzas cabisbaixos e com conversas entre lábios. Ninguém naquele momento teve coragem de dizer um nada sobre o sumiço da família de Dorotéia.

Quando Gervásio se atreveu a falar alguma coisa, um psiu autoritário soou do meio do povo e sua fala foi cortada pelo meio: “- Será que foi o...” Psiu! E todos ali caminharam para a missa. A igreja enfeitada. Os coroinhas em prontidão. O coral e a pequena orquestra esperavam a chegada do padre. O padre que era rígido com os horários e não aparecia. Nos anos de paróquia Padre Adalberto nunca tinha se atrasado. Nem quando estava doente se atrasava.  Os fieis estavam inquietos, queriam se limpar dos pecados da festa pagã.  Dona Antonieta, fervorosa em sua fé – fé que era proporcional à sua língua maledicente – soltou um “Será que é o que estou pensando?”. Ela não gostava do padre por motivos não sabidos no povoado...

Antes que Dona Antonieta continuasse com seus pensamentos maldosos os primeiros acordes da orquestra acabaram com as conjurações contra o padre. Quando ele entrou acompanhado dos coroinhas e os cânticos religiosos, o público na nave da igreja se espantou. Cadê o Padre Adalberto? O que ali entrara era seu substituto! Murmúrios tomaram conta da igreja.  Uma voz mansa perto da sacristia dizia, “será que Gervásio e Dona Antonieta tinham razão em suas elucubrações?” Uma voz mais suave do que a outra dizia “não passa de divagações destes fofoqueiros.” Outra voz com um tom sarcástico indagava, “será?”.

Em questão de minutos os boatos com a ausência do padre na Missa de Cinzas e o sumiço da família de Dorotéia se espalharam pela cidade. Como a mente humana é perversa, principalmente quando pode existir a possibilidade de um amor verdadeiro! Evaldo, o cocheiro, dizia abertamente para quem quisesse ouvir: Padre Adalberto e Dorotéia tinham fugido no sábado de Carnaval. A fala do cocheiro continha inveja e ódio. Evaldo era louco por Dorotéia. Um amor platônico, nunca correspondido.

Ambos tinham realmente fugido juntos. Padre Adalberto era aquele amor adolescente de Dorotéia que simplesmente sumira. Ele não tinha ido embora como imaginara Dorotéia. Tempos depois ela ficara sabendo que os pais do rapaz trabalhavam na construção da ferrovia que crescia para o interior. Anos de busca do seu amor e Dorotéia descobriu que Adalberto tinha se ordenado padre em uma pequena cidade. Um detetive pago pela família havia descoberto seu paradeiro. Isso explica a chegada repentina desta família ali no povoado. Mas até hoje, a única coisa que os moradores da cidade sabem é que de fato eles tinham fugido. Ninguém nunca soube dos detalhes deste belo reencontro.  

O reencontro de um amor do passado só presta saber aos envolvidos. Ninguém na cidade sabe como eles viveram depois do desaparecimento. Tiveram filhos? Foram felizes? Há sentimentos na vida que só interessam aos que os sentem. O sumiço da família foi planejado antes que descobrissem o amor entre Adalberto e Dorotéia. Não queriam passar nenhum tipo de constrangimento. Outras histórias apareceram na pacata cidade. Mentiras. Invejosos. Para alguns é tão difícil entender o que é o amor. Nem toda história de amor tem um final feliz. Esta até onde sabemos teve um. As línguas maledicentes jamais apagariam a beleza deste amor entre Adalberto e Dorotéia.


Uma única dúvida restou: por que a família deixara para trás a vitrola tocando marchinhas? Por quê?

domingo, 31 de janeiro de 2016

“PRO DIA NASCER FELIZ”


Você já assistiu a um filme que lhe marcou tanto que gostaria que seus amigos vissem? Um filme que lhe provocasse tanta emoção e reflexão que você gostaria que muitas pessoas assistissem? Quando assisti ao filme “Pro Dia Nascer Feliz” (o filme está à disposição no Youtube), do cineasta João Jardim, me deu essa vontade louca que muitas pessoas fizessem o mesmo.  Assistam! Aí resolvi escrever este pequeno artigo. O filme trata de um tema que nos custa caro, enquanto nação. Um tema corriqueiro quando se fala que alguma coisa precisa mudar no país. Educação. Quanto nos custa caro uma educação de péssima qualidade?

Um documentário extraordinário.

O filme não traz nenhum especialista em educação para tratar do assunto. Nenhuma reivindicação política. Nenhum curioso querendo tratar de um assunto que desconhece. Nenhum palpiteiro. Os protagonistas do documentário são aqueles que estão inseridos no contexto da escola. Funcionários. Alunos. Direção e professores. A clareza com que estes atores inseridos ali falam de violência, abandono, despreparo profissional, humilhação, condições péssimas de trabalho, pautam-nos que os problemas são muitos, mais sérios do que imaginamos.

Jovens de regiões diferentes do Brasil com sua fala acentuam descaradamente como a educação é tratada com descaso e desrespeito pelos agentes públicos. Com toda falta de estrutura, adolescentes buscam uma saída através do estudo. Destaca-se uma garota, poetisa nordestina, que acredita no seu talento, mas é desacreditada pelos amigos e professores que não enxergam nela este talento. Entretanto persiste! O aluno carioca que trava uma luta árdua entre ficar na escola ou entregar-se a o tráfico. No tráfico ele será muito mais reconhecido do que se frequentar a escola.  Os professores não desistem deste garoto. Investem em projetos interdisciplinares. Sozinhos. A garota de classe média da escola particular em São Paulo que tem seu caminho trilhado. Futuro certo. As diferenças sociais deste país são realmente gritantes.

Um filme que merece ser assistido!

O que me deixou emocionado e perplexo foi a angústia no depoimento dos nossos jovens, bem nascidos ou não, com a ausência dos pais. Muitos querem ser ouvidos. Abraçados. Querem atenção. Muitos jovens encontram este aconchego no seio da escola. Este fato reforça a ideia, já antiga, de que a presença dos pais no ambiente da escola é salutar. Muitos pais não conhecem seus filhos até serem chamados à direção por alguma situação disciplinar. Reagem perplexos: “Este não é meu filho.” - quando a Direção relata as atitudes dos seus rebentos.  Muitos pais não sabem lidar com este novo filho. A contrição é a primeira reação.

Um grupo de jovens conversa entre si sobre as agressões praticadas por eles contra professores com a maior naturalidade. Professores com medo. Professores acuados. Agressões físicas e psicológicas. Os pais desconhecem. Um documentário que deve ser assistido... A saída deste caos é simples, mas não simplista.


Um filme necessário, que deve ser assistido com a família. Insisto!  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A EDUCAÇÃO DE ANTIGAMENTE ERA PARA POUCOS


Quem já não ouviu dizer que as crianças de antigamente eram bem educadas, não respondiam, eram obedientes, etc. e tal? Quando comparamos as crianças de ontem com as hoje, não faltam críticas, como a de que atualmente elas não respeitam os mais velhos. Tolices. Ora, talvez seja difícil perceber que os tempos são outros. É muito mais fácil falar do passado do que da nossa realidade atual, mas não se esqueçam de que a educação de tempos atrás servia muito bem às elites.
Antigamente a família tinha uma formação muito bem definida. A educação era rígida. Em muitos casos, se os pais não fossem obedecidos nas suas ordens, os castigos eram a solução. Violência. Se um filho questionasse uma opinião do pai, o couro do cinto comia solto. Hoje, a família não tem uma formação tão definida como antes. A mãe “saiu de casa” para entrar no mercado de trabalho. Hoje tem muitas mães que assumiram o papel de pai. Hoje tem muitas famílias em que os avós assumiram o papel dos pais, e assim vai. Ocorreu uma mudança significativa.
Talvez alguns queiram educar as nossas crianças como fomos educados. Não é possível. Caímos na besteira de dizer que antigamente aprendia-se mais na escola. Outra tolice. É bom lembrar os incautos que a educação de antigamente não era para todos. Francamente, a qualidade do ensino, que está mal, não é culpa dos professores e nem dos alunos. Repito sempre: falta um projeto de educação que lide com esta questão da educação com profundidade.
A relação entre criança e família e a escola não pode continuar de forma vertical e sim passar a ser horizontal. A relação tem que ser democrática. Como experiência e exemplo, podemos pegar as ocupações das escolas pelos alunos em São Paulo, contra o Plano de Reorganização. Os alunos tiveram um sinal que esta relação pode ser diferente e democrática, ao exigirem o diálogo. Neste caso quem estabelece o respeito é o conhecimento.  
Posso estar errado nessa opinião, alguns colegas continuam achando que educação boa era aquela rígida. Autoritária. Aquela que os alunos só recebiam informação. Aquela que o aluno era um bom ouvinte. Quando este aluno não ia bem dentro desta disciplina rígida, era excluído. As provas com notas azuis e vermelhas eram também uma forma de trabalhar com a pedagogia do medo. Pressão psicológica.  É bem assim: vocês sejam obedientes ou suas notas podem ser vermelhas. Sejam educadinhos.


SERÁ QUE EXISTE AINDA EM ALGUM LUGAR A MONGA, A MULHER ASSASSINA?



Resolvi escrever este artigo depois que conheci o cinema 3D.  Outro dia fui com a Karolina e a Germana assistir a um daqueles filmes rápidos que são exibidos em uma sala pequena, escura e com cadeiras confortáveis, que se movimentam com o passar do filme na tela. Este movimento tem o objetivo de provocar sensações. Acompanhado com óculos 3D, coisa chique.

A Karolina adorou e já pediu para assistir a outro filme deste tipo. Sinceramente achei uma chatice e não me provocou sensação nenhuma. Nem de medo. Nem de alegria. Nem de pavor. Apatia. Além da boa companhia das Marias, o cinema 3D me fez lembrar a Monga, a mulher-gorila. Sensacional! Nada contra o cinema 3D. Provavelmente assistirei a outros filmes, novamente, nesta tecnologia moderna.

Aqui entre nós, quem já teve a oportunidade de assistir “Monga, a Mulher Assassina”, não se esqueceu até hoje e nunca se esquecerá.  Este divertimento ilusionista provocava medo. Testava a nossa coragem. Adrenalina subia... Se algum garoto se recusava a entrar com os amigos para ver a Monga, caia em desgraça: “Você é frouxo.” “Medroso.” E outros adjetivos impróprios. Era motivo de chacota por um bom tempo.

Para quem nunca ouviu falar da Monga, era um espetáculo algo tenebroso, depois da transformação. Antes ela se apresentava como uma mulher linda. Linda mesmo! Tipo essas moças bonitas de novela ou de filme americano. Os garotos ficavam assanhadinhos. O cartaz no banquinho com a foto da belezura anunciava a sua perigosa transformação em Monga, a gorila assassina. A todo o momento você era testado.   

O cenário era o seguinte: uma sala escura e na parede do fundo uma jaula com uma grade, como de cadeia. Uma lâmpada bem fraquinha. Uma voz soturna anunciava a transformação.  A linda moça ia lentamente criando pelos no seu corpo. A música fúnebre ajudava a aumentar o medo, e em poucos minutos a ela virava uma gorila furiosa. Até esta parte do espetáculo tudo bem. Quando a mulher gorila começava a gritar e abria a grade da cela o bicho pegava. Era gente gritando e pedido socorro. Era gente trombando com a parede lateral da sala escura. Confesso que muitas vezes fiquei do lado de fora do recinto para ver e dar risada da reação das pessoas.

Numa destas vezes uma moça saiu com o vestido todo rasgado. Outra vez, outra moça saiu aos gritos e estapeando o namorado. Um rapaz saiu todo mijado. Gente desmaiada. Tudo aquilo era muito engraçado. Como sugestão: alguém poderia produzir um filme com a  Monga, a Mulher Assassina, e passar no cinema 3D? A Monga vai te pegar. Risos!


domingo, 6 de dezembro de 2015

FINAL DE ANO... COMEÇO DE ANO...


Uma coisa bacana do final de ano, além da confraternização, é que ele provoca uma ilusão saudável de que as coisas vão mudar. Uma ilusão que cria uma expectativa de que renasceremos... Renasceremos fortes! Recarregaremos a bateria e começaremos o ano novo com esperança. Ora, quem não sabe? A esperança remove montanhas.

Sabemos que poucas coisas vão mudar, mas alimentamos a ilusão da transformação imediata. Essa ilusão provoca uma forte reação interior. Explode! Ela é um fio condutor para uma reflexão do que realizamos durante o ano que está indo embora. Refletimos sobre os planos que não realizamos. Afinal, acertos e erros se completam. Assim crescemos, amadurecemos e sonhamos...

No final de ano, em segundos buscamos na memória tudo que passamos.  Lamentamos! Lamentamos aquilo que deixamos de fazer. Enaltecemos! Enaltecemos aquilo que fizemos. As coisas são assim. Turbilhões de emoções. Só um maluco da cabeça e do pé não deseja crescer.  

Não abra espaço para a tristeza neste final de ano. Não abra espaço para culpas neste final de ano. A vida é um risco constante de ganhos e perdas. É assim que caminhamos nossa existência.  

Neste final de ano reconcilie-se com alguns desafetos. Se não conseguir se reconciliar, perdoe. Se não consegui perdoar não se culpe.  Final de ano é propício para colocar os sentimentos em ordem.  Para colocar os sentimentos em dia.

Abrace o outro e deseje coisas boas. Abrace sem medo. Conta-se nos dedos quem resiste a um ato de carinho. Muito poucos. Faça as pazes com você. Esteja em paz com você. Assim as coisas vão caminhar bem melhor.

Coma bastante neste final de ano. Agora não é hora de inventar regime.  Dê bastante risada, não se importe com o que vão dizer.   Não resmungue dificuldades, elas passam. Construa  pensamentos positivos para o próximo ano. Força! Caminhe e crie novos sentidos. Você consegue. A gente nunca está só.

Abrace as diferenças. Há quem não acredita em nada do que escrevi. Há quem não acredita na existência de Deus. Há quem não acredita em festas de final de ano. O exercício maior é respeitar quem pensa e vive diferente de nós. Reflita. Construa um padrão vibratório positivo.


Abrace a vida.