Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

domingo, 31 de janeiro de 2016

“PRO DIA NASCER FELIZ”


Você já assistiu a um filme que lhe marcou tanto que gostaria que seus amigos vissem? Um filme que lhe provocasse tanta emoção e reflexão que você gostaria que muitas pessoas assistissem? Quando assisti ao filme “Pro Dia Nascer Feliz” (o filme está à disposição no Youtube), do cineasta João Jardim, me deu essa vontade louca que muitas pessoas fizessem o mesmo.  Assistam! Aí resolvi escrever este pequeno artigo. O filme trata de um tema que nos custa caro, enquanto nação. Um tema corriqueiro quando se fala que alguma coisa precisa mudar no país. Educação. Quanto nos custa caro uma educação de péssima qualidade?

Um documentário extraordinário.

O filme não traz nenhum especialista em educação para tratar do assunto. Nenhuma reivindicação política. Nenhum curioso querendo tratar de um assunto que desconhece. Nenhum palpiteiro. Os protagonistas do documentário são aqueles que estão inseridos no contexto da escola. Funcionários. Alunos. Direção e professores. A clareza com que estes atores inseridos ali falam de violência, abandono, despreparo profissional, humilhação, condições péssimas de trabalho, pautam-nos que os problemas são muitos, mais sérios do que imaginamos.

Jovens de regiões diferentes do Brasil com sua fala acentuam descaradamente como a educação é tratada com descaso e desrespeito pelos agentes públicos. Com toda falta de estrutura, adolescentes buscam uma saída através do estudo. Destaca-se uma garota, poetisa nordestina, que acredita no seu talento, mas é desacreditada pelos amigos e professores que não enxergam nela este talento. Entretanto persiste! O aluno carioca que trava uma luta árdua entre ficar na escola ou entregar-se a o tráfico. No tráfico ele será muito mais reconhecido do que se frequentar a escola.  Os professores não desistem deste garoto. Investem em projetos interdisciplinares. Sozinhos. A garota de classe média da escola particular em São Paulo que tem seu caminho trilhado. Futuro certo. As diferenças sociais deste país são realmente gritantes.

Um filme que merece ser assistido!

O que me deixou emocionado e perplexo foi a angústia no depoimento dos nossos jovens, bem nascidos ou não, com a ausência dos pais. Muitos querem ser ouvidos. Abraçados. Querem atenção. Muitos jovens encontram este aconchego no seio da escola. Este fato reforça a ideia, já antiga, de que a presença dos pais no ambiente da escola é salutar. Muitos pais não conhecem seus filhos até serem chamados à direção por alguma situação disciplinar. Reagem perplexos: “Este não é meu filho.” - quando a Direção relata as atitudes dos seus rebentos.  Muitos pais não sabem lidar com este novo filho. A contrição é a primeira reação.

Um grupo de jovens conversa entre si sobre as agressões praticadas por eles contra professores com a maior naturalidade. Professores com medo. Professores acuados. Agressões físicas e psicológicas. Os pais desconhecem. Um documentário que deve ser assistido... A saída deste caos é simples, mas não simplista.


Um filme necessário, que deve ser assistido com a família. Insisto!  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A EDUCAÇÃO DE ANTIGAMENTE ERA PARA POUCOS


Quem já não ouviu dizer que as crianças de antigamente eram bem educadas, não respondiam, eram obedientes, etc. e tal? Quando comparamos as crianças de ontem com as hoje, não faltam críticas, como a de que atualmente elas não respeitam os mais velhos. Tolices. Ora, talvez seja difícil perceber que os tempos são outros. É muito mais fácil falar do passado do que da nossa realidade atual, mas não se esqueçam de que a educação de tempos atrás servia muito bem às elites.
Antigamente a família tinha uma formação muito bem definida. A educação era rígida. Em muitos casos, se os pais não fossem obedecidos nas suas ordens, os castigos eram a solução. Violência. Se um filho questionasse uma opinião do pai, o couro do cinto comia solto. Hoje, a família não tem uma formação tão definida como antes. A mãe “saiu de casa” para entrar no mercado de trabalho. Hoje tem muitas mães que assumiram o papel de pai. Hoje tem muitas famílias em que os avós assumiram o papel dos pais, e assim vai. Ocorreu uma mudança significativa.
Talvez alguns queiram educar as nossas crianças como fomos educados. Não é possível. Caímos na besteira de dizer que antigamente aprendia-se mais na escola. Outra tolice. É bom lembrar os incautos que a educação de antigamente não era para todos. Francamente, a qualidade do ensino, que está mal, não é culpa dos professores e nem dos alunos. Repito sempre: falta um projeto de educação que lide com esta questão da educação com profundidade.
A relação entre criança e família e a escola não pode continuar de forma vertical e sim passar a ser horizontal. A relação tem que ser democrática. Como experiência e exemplo, podemos pegar as ocupações das escolas pelos alunos em São Paulo, contra o Plano de Reorganização. Os alunos tiveram um sinal que esta relação pode ser diferente e democrática, ao exigirem o diálogo. Neste caso quem estabelece o respeito é o conhecimento.  
Posso estar errado nessa opinião, alguns colegas continuam achando que educação boa era aquela rígida. Autoritária. Aquela que os alunos só recebiam informação. Aquela que o aluno era um bom ouvinte. Quando este aluno não ia bem dentro desta disciplina rígida, era excluído. As provas com notas azuis e vermelhas eram também uma forma de trabalhar com a pedagogia do medo. Pressão psicológica.  É bem assim: vocês sejam obedientes ou suas notas podem ser vermelhas. Sejam educadinhos.


SERÁ QUE EXISTE AINDA EM ALGUM LUGAR A MONGA, A MULHER ASSASSINA?



Resolvi escrever este artigo depois que conheci o cinema 3D.  Outro dia fui com a Karolina e a Germana assistir a um daqueles filmes rápidos que são exibidos em uma sala pequena, escura e com cadeiras confortáveis, que se movimentam com o passar do filme na tela. Este movimento tem o objetivo de provocar sensações. Acompanhado com óculos 3D, coisa chique.

A Karolina adorou e já pediu para assistir a outro filme deste tipo. Sinceramente achei uma chatice e não me provocou sensação nenhuma. Nem de medo. Nem de alegria. Nem de pavor. Apatia. Além da boa companhia das Marias, o cinema 3D me fez lembrar a Monga, a mulher-gorila. Sensacional! Nada contra o cinema 3D. Provavelmente assistirei a outros filmes, novamente, nesta tecnologia moderna.

Aqui entre nós, quem já teve a oportunidade de assistir “Monga, a Mulher Assassina”, não se esqueceu até hoje e nunca se esquecerá.  Este divertimento ilusionista provocava medo. Testava a nossa coragem. Adrenalina subia... Se algum garoto se recusava a entrar com os amigos para ver a Monga, caia em desgraça: “Você é frouxo.” “Medroso.” E outros adjetivos impróprios. Era motivo de chacota por um bom tempo.

Para quem nunca ouviu falar da Monga, era um espetáculo algo tenebroso, depois da transformação. Antes ela se apresentava como uma mulher linda. Linda mesmo! Tipo essas moças bonitas de novela ou de filme americano. Os garotos ficavam assanhadinhos. O cartaz no banquinho com a foto da belezura anunciava a sua perigosa transformação em Monga, a gorila assassina. A todo o momento você era testado.   

O cenário era o seguinte: uma sala escura e na parede do fundo uma jaula com uma grade, como de cadeia. Uma lâmpada bem fraquinha. Uma voz soturna anunciava a transformação.  A linda moça ia lentamente criando pelos no seu corpo. A música fúnebre ajudava a aumentar o medo, e em poucos minutos a ela virava uma gorila furiosa. Até esta parte do espetáculo tudo bem. Quando a mulher gorila começava a gritar e abria a grade da cela o bicho pegava. Era gente gritando e pedido socorro. Era gente trombando com a parede lateral da sala escura. Confesso que muitas vezes fiquei do lado de fora do recinto para ver e dar risada da reação das pessoas.

Numa destas vezes uma moça saiu com o vestido todo rasgado. Outra vez, outra moça saiu aos gritos e estapeando o namorado. Um rapaz saiu todo mijado. Gente desmaiada. Tudo aquilo era muito engraçado. Como sugestão: alguém poderia produzir um filme com a  Monga, a Mulher Assassina, e passar no cinema 3D? A Monga vai te pegar. Risos!


domingo, 6 de dezembro de 2015

FINAL DE ANO... COMEÇO DE ANO...


Uma coisa bacana do final de ano, além da confraternização, é que ele provoca uma ilusão saudável de que as coisas vão mudar. Uma ilusão que cria uma expectativa de que renasceremos... Renasceremos fortes! Recarregaremos a bateria e começaremos o ano novo com esperança. Ora, quem não sabe? A esperança remove montanhas.

Sabemos que poucas coisas vão mudar, mas alimentamos a ilusão da transformação imediata. Essa ilusão provoca uma forte reação interior. Explode! Ela é um fio condutor para uma reflexão do que realizamos durante o ano que está indo embora. Refletimos sobre os planos que não realizamos. Afinal, acertos e erros se completam. Assim crescemos, amadurecemos e sonhamos...

No final de ano, em segundos buscamos na memória tudo que passamos.  Lamentamos! Lamentamos aquilo que deixamos de fazer. Enaltecemos! Enaltecemos aquilo que fizemos. As coisas são assim. Turbilhões de emoções. Só um maluco da cabeça e do pé não deseja crescer.  

Não abra espaço para a tristeza neste final de ano. Não abra espaço para culpas neste final de ano. A vida é um risco constante de ganhos e perdas. É assim que caminhamos nossa existência.  

Neste final de ano reconcilie-se com alguns desafetos. Se não conseguir se reconciliar, perdoe. Se não consegui perdoar não se culpe.  Final de ano é propício para colocar os sentimentos em ordem.  Para colocar os sentimentos em dia.

Abrace o outro e deseje coisas boas. Abrace sem medo. Conta-se nos dedos quem resiste a um ato de carinho. Muito poucos. Faça as pazes com você. Esteja em paz com você. Assim as coisas vão caminhar bem melhor.

Coma bastante neste final de ano. Agora não é hora de inventar regime.  Dê bastante risada, não se importe com o que vão dizer.   Não resmungue dificuldades, elas passam. Construa  pensamentos positivos para o próximo ano. Força! Caminhe e crie novos sentidos. Você consegue. A gente nunca está só.

Abrace as diferenças. Há quem não acredita em nada do que escrevi. Há quem não acredita na existência de Deus. Há quem não acredita em festas de final de ano. O exercício maior é respeitar quem pensa e vive diferente de nós. Reflita. Construa um padrão vibratório positivo.


Abrace a vida.   

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

MEMÓRIA.

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Hoje bem de manha lembrei-me da primeira vez que vi o mar. Menino do interior acostumado à vez mares de cafezais, na descida da Serra quando avistei o azul do mar distante ainda dos meus pés gritei: - Tio Didio (Narciso) que cafezal grande! Do seu jeito respondei: - Marcos, não é um cafezal é o Mar! Depois desta apresentação a distancia do Mar até chegar o momento de  encontra-lo foi uma eternidade...   


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

ALUNOS OCUPAM A ESCOLA PEQUENO COTOLENGO EM COTIA



A Escola Pequeno Cotolengo, em Cotia, está entre as que fecharão suas portas aos alunos da comunidade no próximo ano. O Governo do Estado de São Paulo está irredutível no sentido de abrir mão do Projeto de Reorganização das Escolas, mesmo das que foram ocupadas pelos alunos. Enquanto o Governo investe na racionalidade do projeto, os alunos se apegam aos sentimentos. Apegam-se ao afeto pelo espaço escolar que faz parte das suas vidas. Talvez seja este fator sentimental importante que o governo não tenha percebido. 


O que diferencia a Escola Pequeno Cotolengo das outras que o Governo deseja fechar é que ela está ligada à instituição religiosa Dom Orione. O prédio pertence à instituição. O Estado paga o aluguel. O Estado pensa com o bolso e os alunos, ex-alunos e professores pensam com o coração. O rolo compressor do Projeto de Reorganização não considera a memória e o afeto da comunidade pelo seu espaço escolar. Um erro gravíssimo. Foram pegos de surpresa.


Um apelo de quem foi professor desta escola na década de noventa é que o Governo abra o diálogo com a comunidade escolar para uma possível solução em relação a este fechamento. É uma oportunidade para o Governo do Estado tirar a pecha de insensível às questões da Educação. O argumento de afeto e sentimento pode parecer ingênuo. Pode parecer babaquice, mas este movimento de ocupação das escolas pelos alunos é positivo demais. Mostra que as pessoas gostam da escola e tem apego.  


Os alunos especiais do Cotolengo vão estudar em que lugar?  Em outra escola? Como fica a mobilidade destes alunos? São coisas que precisam ser conversadas. São dúvidas que precisam ser tiradas. É preciso dialogar. Mais uma vez o Governo do Estado implanta um projeto goela abaixo das comunidades escolares e enfrenta resistência por falta de diálogo. Solidarizo-me aos alunos, pais, funcionários e professores da Escola Pequeno Cotolengo. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

PAPAI NOEL EXISTE?



Fui surpreendido com uma pergunta da Maria Karolina sobre a existência do Papai Noel. Na lata e sem rodeio, Maria perguntou: Papai Noel existe? Gaguejei. Enfaticamente Karolina perguntou novamente: Papai Noel existe? Respondi com certa insegurança. É uma lenda, uma fantasia. A terceira opção para responder a pergunta de Maria foi pior que as anteriores: Papai Noel é fantasia, mas ele existe. Vergonhoso. Ela resmungou e mostrou completa insatisfação com as respostas dadas. Agora, imagina a confusão que provoquei na cabeça da menina.
Ficou uma lição: não fale sobre assunto que você não tem informação.

Aos incrédulos: Papai Noel existiu de verdade! Papai Noel era turco. Papai Noel foi Arcebispo, em 280 d.C. Papai Noel era caridoso. Distribuía moedas para os pobres e as depositava em saquinhos próximos às chaminés. Está aliviado em saber que Papai Noel não é uma mentira? As informações da sua existência não param por aí.  O Arcebispo Nicolau, pela sua bondade e milagres, após sua morte se tornou Santo. São Nicolau.  

É só no final do século XIX, na Alemanha, que São Nicolau ganha a roupagem de Papai Noel. Neste período sua vestimenta de inverno era marrom e verde escura, completamente diferente de hoje.
Papai Noel é global. Na Alemanha ele recebe o nome de Kris Kringle – criança de Cristo. Na Suécia é chamado de Jultomten. Na Holanda ele é chamado de Kerstmaan. Na Finlândia de Joulupukki. Diferente, né? Na França Papai Noel recebe o nome de Père Noël, na Espanha, de Papá Noel. Até no Japão tem Papai Noel. Lá ele é chamado de Jizo. Na Itália de Babbo Natale. Na Inglaterra Papai Noel se pronuncia assim: Father Christmas e nos Estados Unidos é Santa Claus. Na Rússia ele é Grandfather Frost.

Tem adulto que gosta de desconstruir a imagem do Papai Noel, dizendo aos seus filhos que ele nunca existiu. Não minta para seu filho. Há aqueles que impiedosamente acusam-no de ser representante do capitalismo selvagem. Bobagem! No mínimo, a imaginação aduba o cérebro dos pequenos.

Com o tempo a criança vai distinguindo o que é real e fantasia. Foi assim com a gente, apesar de que Papai Noel existe. Não subestime a inteligência dos seus, dos nossos filhos. Com o tempo eles descobrirão que o presente que ganhavam no final de cada ano era comprado pelo Papai Noel de carne e osso. O importante é que ele viveu esta fantasia. Se radicalizarmos nossa posição negando a existência dele, estaremos negando às nossas crianças os contos de fadas e heróis que quase todo mundo teve na vida.

Papai Noel é o intermediário que estabelece um laço de afeto entre pais e filhos. É serio. Papai Noel é pai de quem não tem pai. Então, ele não pode ser tão ruim assim para a formação emocional dos nossos filhos. Papai Noel ensina. Abre a possibilidade que você seja caridoso pelo menos uma vez por ano. Não me diga que você nunca pegou um kit de uma instituição de crianças que só têm o Papai Noel para presenteá-las?


Para terminar, esse jeitão de Papai Noel que conhecemos hoje ganhou vida na década de quarenta, em uma propaganda da Coca Cola. Inclusive a roupa vermelha. Pergunto eu, que culpa tem Papai Noel? Ele é uma figura que está acima de qualquer ideologia. E por falar em ideologia... eu quero uma para viver. Boas festas e fantasias!