Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

3OO ANOS DA IGREJA NOSSA SENHORA DE MONT SERRAT (COTIA- BRASIL).


Para celebramos a comemoração dos 300 anos da existência da Igreja Nossa Senhora de Mont Serrat, toda semana publicarei pequenas histórias de moradores ou não, que tiveram algum tipo de relação com a igreja. Desta forma, resgatando sua importância Histórica para a cidade e a sua influência na vida dos que aqui viviam ou passavam pelo lugar.  

ECLÉA BOSI
   
li, com muito prazer, as memórias dos velhos cotianos que você recolheu com atenção e carinho. Memórias risonhas na sua maior parte, porque esses velhos transbordam de simpatia e amor pela vida. Tenho uma raiz muito funda que me prende a esse lugar.
  
Meu avô, Amadeu Strambi, cultivava uva em São Roque; ali, no alto da serra, passei belos anos de minha juventude. Nas suas noites frias me aqueci no grande fogão de lenha no pátio da Matriz, onde se preparavam os pastéis, o quentão, das festas e quermesses. Ao seu redor se apinhavam as crianças, e as velhinhas, embrulhadas nos xales, olhavam as chamas e recordavam os bons tempos. Aquele fogão de lenha era o coração generoso da cidade que pulsava. Mão impiedosa o derrubou. O pátio da comunidade hoje é estacionamento.

   Adeus fogão de lenha... adeus velhinhas tiritantes, adeus memória!

                                                               Prof. Marcos Robero Bueno Martinez.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

CEMUCAM: CENTRO MUNICIPAL DE CAMPISMO.



Discutir a devolução do Cemucam para a prefeitura de Cotia dentro de uma ótica do contra ou do á favor, do bem e do mal é reduzir a importância deste espaço com um bioma extraordinário, apenas no âmbito da política, é muito perigoso. É dizer assim: que outro grupo que esteja à frente da prefeitura vai administrar melhor o parque? Será? Qual a garantia? Ambos os partidos no poder hoje, na cidade São Paulo e no Estado, poderiam ter feitos algo pelo Cemucam e nunca o fizeram. Inclusive, investir no campo da pesquisa e na modernização do Viveiro Harry Blossfeld.

O que existe pelo que li em relação a doação do parque para o município de Cotia é apenas uma intenção, não acredito que isto aconteça tão cedo. Talvez nem aconteça! Já houve está conversa outras vezes, que sempre cai no esquecimento. Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, gasta se com o parque, Hum milhão e oitocentos mil Reais por ano. Com que é gasto este dinheiro?  Esta quantia é suficiente para manter o funcionamento com eficiência do Cemucam? O valor é suficiente ou não? Se acontecer a doação do parque para o município de Cotia a cidade teria condições de manter este valor e ampliar o investimento que este  espaço precisa? Que tal pensamos em uma terceira via para o Cemucam?

O parque do Cemucam, não pode continuar vivendo nesta ambiguidade. Ambiguidade, que a cada dia a cada ano e a cada governo, contribui  para o deterioramento do espaço do parque, daquilo que existe. E também não pode ocorrer uma demonização da doação, apenas com suposições. O parque deve ver visto como um Patrimônio da humanidade, e assim, ampliar a discussão de como utiliza-lo melhor, para pesquisa, educação ambiental e como inserir práticas pedagógicas neste espaço para seu uso. Precisamos trazer o povão para dentro do parque! Principalmente, povão da região oeste da grande São Paulo. Ora, qualquer revista de cultura e lazer que circula na grande São Paulo, apresenta centenas de atividades nos parques da cidade e da grande São Paulo. Quais os motivos que deixam o Cemucam de fora destas atividades culturais? A terceira via é transformar o parque em um espaço eficiente para o povão tão carente de cultura.

A preocupação e o medo que a especulação imobiliária   transforme o Cemucam em um grande loteamento luxuoso, é antiga. E pode acontecer!  Em meados da década de 80, durante o Governo do prefeito Janio Quadro, houve uma conversa e uma tentativa de transformar o Cemucam em um empreendimento imobiliário de luxo, um pequeno grupo de ativitas ambientais e algumas ONGS fecharam a Rodovia Raposo Tavares, chamando a atenção da imprensa e defensores do meio ambiente na época.  A tentativa foi abortada.  Sejamos imparciais, está possibilidade de desaparecimento do parque pode ser tanto com a prefeitura de Cotia como dá prefeitura de São Paulo. Portanto, fazer do parque um espaço com projetos e eventos culturais é importante, inibe a ganância imobiliária. E amplia seus defensores na sociedade.
A argumentação na época para um possível loteamento do parque,  era de que ele  seria um peso para a prefeitura de São Paulo, e não tinha quase nenhuma utilidade cultural e social. A salvação do Cemucam,  é um projeto de uso do espaço eficiente. Poderíamos começar a utilizar o que já existe no parque? E aproveitar ativicades que existem nas secretarias de esporte e cultura. E não podemos perder de vista que a mobilização popular é fundamental para manter o cemucam intacto.


domingo, 14 de julho de 2013

A PRAÇA DA MATRIZ


   Ah! A praça da matriz da cidade de Cotia! Ela fez parte da vida de muita, muita gente... Eram passeios, namoricos, esperanças... As moças subiam de braços dados a rua Senador Feijó em direção à praça, onde os moços as esperavam para o momento do flerte. “Foi assim que comecei a namorar o Roque Savioli” - disse dona Nice.

  Benedita Amélia Barreto Alvez, a dona Zizinha, cotiana nascida em 1916, conta suas lembranças sobre a praça e nos fascina com a objetividade que dá às suas palavras: “Naquele tempo íamos a reza depois dávamos algumas voltas pela praça, mas tínhamos que voltar cedo para casa”. Trazendo mais recordações de sua memória, dona Zizinha transforma suas frases em cenas vivas. Lembra-se do cruzeiro na frente da igreja, que deu lugar tempos depois ao coreto, das beatas, das festas, dos tropeiros que atravessavam a praça e seguiam na direção ao sítio do Nhô Zaca, no Portão. Uma das imagens que marcou Zizinha foi quando os revoltosos de Isidoro Dias Lopes, em contenda com Washington Luiz, chegaram do Paraná, e um de seus homens entrou em plena Igreja Nossa Senhora do Monte Serrat... montado em seu cavalo. Foi um tumulto geral.

   Maria Conceição Alves de Oliveira, outra moradora da cidade, lembra-se da inauguração do segundo coreto, em 1967. A festa contou com a presença da caravana dos artistas do Programa do Rádio Patuá Reis e trouxe os cantores Nelson Gonçalves e Paraguaçu Paulista. Era costumeira, no coreto, a apresentação da Banda Municipal da cidade. Para lá iam os cidadãos, a fim de escutarem marchas, valsas, modinhas... A praça era o centro cultural da época - todas as atividades aconteciam no coreto. Era também o único lazer da cidade. Conta o Sr. Leonel Ganem que a praça transformava-se, vez por outra, em campo de futebol. Os times eram formados pelos moleques que moravam nas casas do lado direito e do lado esquerdo da igreja.

   Pedro Victor e Oscarlina Pedroso Victor, recordam as festas religiosas que aconteciam no decorrer do ano, na praça da Matriz. As festas do Divino, de São Benedito e da padroeira da cidade, eram comemoradas com muita devoção. A Festa do Divino era realizada 40 dias depois do Sábado de Aleluia e as festas da Padroeira e de São Benedito aconteciam juntas, no dia 8 de Setembro, para evitar que houvesse dois feriados – é que São Benedito teria o seu “dia cotiano”, não oficial, em 9 de setembro. Segundo dona Maria Conceição, na festa do Divino os sitiantes e moradores da cidade levavam suas prendas para a casa do festeiro do ano. Essa casa ficava conhecida como a Casa da Comida e os alimentos eram distribuídos graciosamente para os devotos.

   Passando a analisar as fotos, na primeira temos em destaque Benedito Carlos dos Santos, que era conhecido pelo apelido de “Ditão” – habitante muito popular da cidade; do lado esquerdo da praça está o coreto, o bar do seu Vermelino, um sobrado onde se localizava a farmácia, e logo depois o Beco do Savioli.

   Na segunda foto, do lado direito da praça, destacam-se a Igreja da Matriz e a rua Senador Feijó, ainda em terra batida, sem paralelepípedos. Pesquisa realizada pelo padre Daniel informa que a igreja da praça foi inaugurada em 1713. Pedro Victor destaca que essa foto foi tirada por ele de cima do bagageiro de uma jardineira – o ônibus da época -, antes do seu casamento com dona Oscarlina, em 1945.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

HISTÓRIAS DE ROQUE GIANNETTI



 Roque Giannetti chegou em Cotia no ano 1938 e ganhou de seu pai, aos 16 anos, uma barbearia na cidade, onde exerceu seu oficio. O Sr. Roque, hoje com 75 anos, e como gosta de ressaltar, 75 incluindo os nove meses que ficou na barriga de sua mãe, lembra dos sessenta anos, que mora na cidade, com um bocado de saudade.
   Entre tantas histórias uma chama a atenção: conta ele que um belo dia, lá pelos idos de 40, precisava ir a São Paulo para fazer compras para a sua barbearia, mas foi avisado por seu Vermelino, outro antigo morador da cidade, que naquele dia ia chover muito. Desconfiou do conselho e foi para a Capital, pois o céu estava azul, o sol brilhava e nada indicava que pudesse chover. Ao chegar próximo do atual Rancho da Pamonha, o tempo fechou e desabou o maior temporal do mundo. O ônibus encalhou e o Sr. Roque chegou a São Paulo coberto de lama. No final da tarde, chegando a Cotia, quem o estava esperando? O Sr. Vermelino, de maneira mais irônica possível, disse: - Não falei que ia chover?
O Sr. Roque, todo tímido, perguntou: - Mas, como o senhor sabia?
Vermelino, então, perguntou a Roque se ele estava vendo o galo em cima da torre da Igreja da Matriz; ele disse que, quando ele está com o rabo virado para o lado da praça, significa frio e chuva, quando ele está olhando para a praça, o dia é bonito.
 Quem quiser conferir, o galo ainda está no mesmo local.
 Outra história interessante de Roque Giannetti é esta: ele teve que enfrentar o delegado de polícia, que na época tinha praticado algumas arbitrariedades. O delegado chamou várias pessoas para prestarem esclarecimento sobre um certo caso, nada por escrito, tudo verbalmente, e acabou com as pessoas que lá foram. O Sr. Roque, como não compareceu, recebeu uma segunda intimação, agora por escrito. Antes mesmo de o delegado começar a esculachar, ele, com o seu jeito calmo, acabou com o delegado.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

ORGANIZANDO O CAOS


Quem já não levantou com vontade de organizar a vida começando pelas coisas guardadas nos armários e caixas amareladas? Outro dia amanheci com está vontade, louca de arrumação.  Muitas vezes, guardamos coisas que não vamos usar, até sabemos que não vamos usar, mais sempre depositamos estas coisas em algum lugar, penso que pra dizer que aqueles papéis com anotações ou não, fotos, livros e outros objetos fazem parte da nossa vida. É como se dissemos pra nós mesmos, temos uma História a contar. Também pode ser que guardamos coisas com a certeza, de que se perdermos o fio da miada nesta vida, podemos retomá-la com essas lembranças.


Comecei a reorganização da bagunça, com as folhas que estavam sobre mesa e outras tantas enfiadas nas gavetas, com anotações e números de celulares, que nem lembro a quem pertence. Como gastamos papel? Ali, muitas folhas de caderno e de sulfite em branco, esperando alguma informação que nunca chegou. Em algumas anotações, nomes escritos que deixaram muita saudade, relacionamentos construídos na amizade e no companheirismo. Outros nomes ali registrados não fariam falta alguma se fossem esquecidos, amigos do poder. O almoço marcado, o encontro agendado que não aconteceu. Como foi difícil desfazer destes papéis, alguns há tempos amarelado. Como é difícil desfazer do passado. Ao esmagar cada folha, uma vontade de ler de novo, é guardá-las.  As folhas em branco, a vontade de escrever alguma coisa... No último papel jogado, escrito uma frase de uma amiga do tempo de escola: “Sempre quando nós nos encontrávamos você me perguntava: como está"?


Como as fotos são reveladoras, “amigos” com um sorriso de canto e sorrateiro, querendo sair no retrato.  Muitos! As escolas inauguradas e a alegria da comunidade e das professoras e funcionárias, com aquele novo espaço. As fotos têm este poder de registrar sentimentos. Os livros muitos lidos e tantos outros esperando para serem lidos, retomei a leitura do Ensaio sobre a cegueira do escritor José Saramago, e já terminei. Um livro revelador, no trato da crueldade humana diante de situações de estresse social, mais também esperançoso, apontando caminhos para criarmos coletivamente uma vida melhor. No meio da limpeza, uma pausa, um reencontro com Umberto Eco, sobre a História da Feiura com afrescos maravilhosos. Leitura em andamento. Ganhei de aniversário, Humano, Demasiado, Humano do pensador, Friedrich Nietzsche, presente compensado e com os “espíritos livres”. Quase tudo organizado, e a vida continua... Só não gosto que mexam na minha desorganização, tão organizada. Ah, os livros também são reveladores. Para finalizar muita coisa jogada no lixo retornaram as caixas amareladas.


Prof. Marcos Roberto Bueno Martinez.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

RECEITA DO PASTEL DE FARINHA DE MILHO (PASTEL CAIPIRA).


Nunca imaginei que em um encontro com amigos, pudesse suscitar tantos sentimentos
adormecidos. Lembranças, costumes e hábitos há muito tempo esquecidos, vieram à tona. A Receita do Pastel de Farinha de Milho foi apenas um detalhe, nela existe um universo de  significados bem maior que os ingredientes em si. A família Oliveira tem está receita a mais de cem anos circulando entre eles. Quantas Histórias a cada “massada”? Muitas! Histórias de dores e alegrias.


Uma delícia. Está receita vem da Bisavó da Dona Maria. É bom lembra que o milho era alimento comum nesta época.


Mão na massa:

Leva-se a uma bacia; farinha de milho, uma pitada de sal, a gosto. Para dar a liga na massa, um punhado de farinha de mandioca, junte tudo. Enquanto isto, água quente, não fervendo! Água quente e fervendo é bem diferente uma dá outra. Jogue a água aos poucos na bacia com os ingredientes  e mexa com uma colher de pau, use a mão para sentir a textura da massa quando ela estiver mais fria. Dê uma surra na massa, o tato das mãos é muito importante. A mão vai dar o momento da maciez da massa, com a mão vem um monte de sensações de sentimentos.



                                     
 Dona Maria Domingos da Silva e o senhor Joaquim Domingos de Oliveira(noventa anos) O Pastel Caipira uma tradição de família.







O recheio ao gosto: carne, frango, queijo, camarão, carne seca e outros.

Um outo ingrediente, que não pode faltar, é o burburinho em volta,  muitos causos, muitas Histórias, literalmente, colocar a  conversa em dia.  O sabor fica diferente.  Uma tarde na casa da família Quintino reforçou a ideia de que família é fundamental na formação emocional de cada um de nós. Uma pausa: família como ela está constituída hoje, bem diferente do tempo antigo, as mudanças tem que ser respeitadas. Outra dica no preparo da receita, não fique com medo de errar o jeito de fazer a massa, faça, ela pode ficar seca e ao fritar o pastel rachar, se isto acontecer faça de novo, quantas vezes for preciso. Uma hora sua mão e o paladar vão lhe dizer que assim está perfeito. A vida não é diferente, ela é construída de acertos e erros.


A pressa não combina com esta receita, antes teve o almoço com um cardápio de dar água na boca, galinha caipira, polenta, macarronada, muita risada e conversa boa. Lógico que sobrou um espacinho para maldizer dos outros. (risos). Um encontro como este não pode ser intermediado pelo celular e pela rapidez do fast food.
O Pastel ficou para o final da tarde.  No nosso caso depois do terço dá Santa Peregrina. Surge lentamente na estrada do sítio a figura emblemática do senhor Joaquim Domingues de Oliveira (conhecido como Joaquim Sulino), com seus noventa anos, com a santa nas mãos em procissão. Um amigo sussurra, tão perto de São Paulo, e tão distante. Reza, café, chá de gengibre e amendoim. Um belo dia. Pronto o Pastel Caipira, frite o pastel no óleo não muito quente, apenas quente. Foi um dia destes que vai ficar na memória

Prof. Marcos Roberto Bueno Martinez


quarta-feira, 5 de junho de 2013

UMA INFORMAÇÃO RAPIDINHA.


CRECHE NÃO É DEPÓSITO DE CRIANÇA. (1)

No último programa da Rede Globo, Profissão Repórter, abordou o tema das mães que passam dias, meses e até anos esperando, por uma vaga em Centros Educacionais (creche), confesso que fiquei constrangido em ver o descaso do poder público, que poderia ser resolvido com planejamento e vontade política. Afinal, dinheiro tem!