Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

terça-feira, 3 de junho de 2014

QUE VENHAM AS MANIFESTAÇÕES NO MÊS DA COPA


Quem tem medo das manifestações de rua que há quase um ano trazem todo tipo de reivindicações? Reivindicações as mais diversas! Só quem não percebeu que vivemos em um país democrático tem medo de gente na rua correndo atrás dos seus direitos. Medo do quê? Em uma sociedade capitalista quem determina as relações é o Capital e o Trabalho: é normal que existam os conflitos de interesses (clichê). Cada grupo tenta puxar a sardinha para o seu lado.

Num piscar de olhos o novo é velho. Em todos os sentidos as coisas acontecem muito aceleradamente. Muito rapidamente... Parece que nos esquecemos do passado muito rapidamente. Como é confortável viver o presente e incômodo lembrar-se do passado, tão perto. Olhamos para coisas enxergando a ponta do pé. Precisamos olhar além dos pés. Quantas vezes opinamos coisas importantes com apenas uma rápida olhada ao enunciado. Cometemos erros e injustiças, principalmente quando olhamos para o agora. O que acontece nas ruas hoje é o reflexo de um passado. Na década de sessenta os conflitos de rua aconteciam quase todos os dias. Manifestações de rua não caracterizam uma invenção dos que foram para as ruas no ano passado.

As lutas eram outras. Contra o Imperialismo. Contra o Capitalismo e a favor do Comunismo (Guerra Fria). Nesse período,pessoas tinham lados bem definidos. O espectro do Comunismo justificou duas décadas e meia de Ditadura Militar. Tortura. Atrocidades. Direitos políticos cassados. Nas ruas, as pessoas iam para o enfrentamento,em busca de liberdade. Atrás dos seus sonhos. Quando quase todas as portas se fecharam. A Resistência foi na clandestinidade. Agora, recebemos as manifestações atuais como um corpo estranho.

Nas décadas de 70 e 80 eram as greves de operário contra padrão. A velha luta de classes. Muitos reagiram de forma reacionária. Uma forma comum de reação ao que é estranho é criar frases de efeito. O mundo vai acabar. Os bolivarianos vão invadir o Brasil. Os arruaceiros, vândalos. Os comunistas comem criancinhas. Pequemos frases e palavras que são moldadas à nossa compreensão das coisas. Compreensão que,às vezes, não vão além dos nossos pés. Parece que temos uma necessidade de viver sempre com medo. As manifestações de rua são justas. Não são contra a copa e sim contra o caos na saúde, na educação, na segurança etc., etc...

Tem gente aqui que está preocupado com o que os estrangeiros vão pensar do Brasil Vão continuar pensando que somos Cucaracha (lembrandoHenfil). Venham as manifestações com força para mostrarmos que não somos tão obedientes assim. Estamos insatisfeitos! Queremos que o Brasil mude. Que o Brasil dê lição de cidadania. Queremos ser melhores na educação. Queremos ser melhores em tudo. Podemos ser. Para isso acontecer é preciso sair às ruas. Sem violência.

Vai Garrincha! Vai sem teto! Vai Pelé! Vai morador de rua! Vai Zico! Vai motorista de ônibus! Vai Romário! Vai empregada domestica! Vai Neymar! A rua é nossa